28.3 C
Ponte de Sôr
Terça-feira, Julho 14, 2026
Início Destaques 1º página Águas do Alto Alentejo: o que mudou e o que vem aí

Águas do Alto Alentejo: o que mudou e o que vem aí

Empresa intermunicipal reforça investimento, modernização e controlo da qualidade da água em dez municípios do distrito

A Águas do Alto Alentejo assumiu, em julho de 2022, a gestão da água e do saneamento em dez municípios do distrito, marcando uma mudança estrutural na administração destes serviços essenciais. Dois anos depois, o diretor‑geral, Rui Choças, faz um balanço do trabalho realizado, dos investimentos em curso e dos desafios que ainda condicionam o sistema. A entrevista em vídeo, disponível nesta página, evidencia o impacto da agregação municipal, a importância do financiamento europeu e a necessidade de modernização contínua da rede.

Criada formalmente em 2020, a empresa só iniciou contacto direto com os consumidores dois anos mais tarde. Até então, cada município geria autonomamente o abastecimento e o saneamento, com limitações evidentes. Rui Choças recorda que a criação da entidade intermunicipal permitiu ultrapassar um bloqueio estrutural: “Os municípios não tinham capacidade económica para fazer investimentos. Com a empresa, conseguimos candidatar‑nos a fundos que exigiam um aglomerado de 50 mil pessoas.” Em três anos e meio, foram aprovadas 18 candidaturas, num total de cerca de oito milhões de euros — um montante impossível de alcançar individualmente pelos municípios.

A qualidade da água continua a ser um dos temas que mais dúvidas suscita entre os consumidores. Para responder a essas preocupações, a empresa reforçou o controlo analítico. “Só em 2025 fizemos cerca de 4500 análises… tivemos 99,5% de qualidade de água”, sublinha o diretor‑geral. Apesar de admitir que, no verão, podem surgir alterações de tonalidade devido à temperatura e ao tratamento da água bruta, garante que a água distribuída cumpre todos os parâmetros legais. Sempre que necessário, são ativados planos de contingência.

Atualmente, cerca de 90% da água distribuída é adquirida às Águas do Vale do Tejo, responsáveis pela captação e tratamento em alta. A barragem da Póvoa e Meadas continua a ser o principal ponto de origem, embora apresente limitações estruturais que impedem o enchimento total. A futura Barragem do Pisão deverá reforçar a resiliência do sistema, ainda que não venha a ser um ponto direto de abastecimento.

A modernização da rede é outra prioridade assumida. A empresa monitoriza já 128 depósitos e vários setores de rede, recorrendo a inteligência artificial para detetar ruturas e desperdícios. Foram substituídas cerca de 3000 válvulas de setor e 31 mil contadores, muitos deles com mais de uma década de utilização. Paralelamente, está em curso um projeto internacional de seis milhões de euros para reduzir a água não faturada, com a meta de atingir 20% até 2030.

O tema das tarifas continua a gerar debate público. Rui Choças explica que a lei obriga à recuperação de custos e que havia municípios com taxas de recuperação de apenas 40%. “Sessenta por cento dos custos eram suportados por decisão política”, afirma. Com a entrada da empresa, nove dos dez municípios tiveram atualização tarifária. Ainda assim, as tarifas da Águas do Alto Alentejo situam‑se “do meio para baixo” no panorama nacional e abaixo de municípios vizinhos como Portalegre, Elvas ou Campo Maior. A tarifa social abrange atualmente cerca de 3500 famílias, representando um apoio anual de aproximadamente 500 mil euros.

Rui Choças reconhece que a comunicação da empresa nem sempre foi suficiente, mas garante que está a ser reforçada. Sublinha ainda que a Águas do Alto Alentejo é uma entidade 100% pública, auditada por várias instituições, e que todas as decisões estratégicas são tomadas pelos municípios. O objetivo, afirma, é claro: “Transmitir eficiência, rigor e credibilidade. O trabalho é diferente do que existia nos municípios e é feito para garantir o futuro dos nossos filhos e netos.”

Artigo anteriorEdgar Rodrigues confiante na deslocação a Rio Maior: “Só pensamos nos três pontos”
Próximo artigoRally‑Raid Portugal passa por Bemposta a 19 de março