Ave encontrada junto à estação da Chança foi entregue ao ICNF em Portalegre às 09h de segunda‑feira; cidadão denuncia demora e o centro confirma que o animal não resistiu.
O resgate de um bufo‑real juvenil encontrado ferido junto à estação da Chança, no concelho de Alter do Chão, originou versões distintas entre o cidadão que recolheu a ave e a Guarda Nacional Republicana (GNR). A cronologia dos acontecimentos, que envolve também o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), revela discrepâncias quanto ao tempo decorrido até à chegada ao centro de recuperação de Castelo Branco, onde a ave acabou por morrer. A nova informação de que o SEPNA afirma ter alimentado e hidratado a ave até às 09h00 de segunda‑feira altera a leitura técnica das causas prováveis de morte, mas não altera o desfecho.

O resgate de um bufo‑real juvenil, encontrado ferido junto à estação da Chança, em Alter do Chão, gerou informação divergente entre o relato do cidadão que o recolheu e os dados oficiais da Guarda Nacional Republicana (GNR). O cidadão descreveu ter encontrado a ave com uma asa partida, ter-lhe dado água e ter procedido à entrega no Posto Territorial da GNR de Alter do Chão.
Segundo o cidadão, o SEPNA apenas recolheu a ave no dia seguinte, pelas 18h, e o centro de recuperação de Castelo Branco recebeu o animal já debilitado. O centro confirmou ao cidadão que a ave não resistiu aos ferimentos.
A GNR, por sua vez, esclarece que o procedimento decorreu dentro das normas habituais. A ave foi entregue no sábado às 16h, tendo recebido alimentação e hidratação. No domingo, pelas 18h, o SEPNA recolheu o animal e afirma que garantiu alimentação e hidratação até às 09h00 de segunda‑feira, momento em que a ave foi entregue ao ICNF em Portalegre. A GNR acrescenta que o transporte para Castelo Branco foi da responsabilidade do ICNF, que não procedeu à entrega imediata após receção.
A informação de que a ave esteve hidratada e alimentada até às 09h00 não altera o desfecho, mas ajusta a interpretação técnica das causas prováveis de morte: a ausência de cuidados clínicos especializados durante mais de 49 horas, a fratura não estabilizada, o stress fisiológico prolongado, a exposição térmica e a demora de mais de dez horas entre a entrega ao ICNF e a chegada ao centro de recuperação constituem fatores críticos para um juvenil ferido.
A espécie em causa, o bufo‑real (Bubo bubo), é uma das maiores aves de rapina noturnas da Europa e tem presença reduzida em Portugal, o que torna cada operação de resgate particularmente relevante.
A Guarda Nacional Republicana apela à denúncia de situações de âmbito ambiental através da Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520), do Portal da GNR, e do endereço de email sepna@gnr.pt, disponíveis para esclarecimento de dúvidas ou comunicação de infrações.