A procura por crédito à habitação está a abrandar na Europa devido aos juros elevados e à instabilidade internacional. Em Portugal, porém, o início de 2026 mostrou um comportamento distinto, com aumento da procura e sinais de resiliência, apesar da pressão das Euribor e da maior prudência da banca.
O mercado europeu dá sinais claros de travagem no crédito à habitação, mas Portugal continua a seguir um percurso próprio. Entre juros elevados, incerteza global e maior seletividade da banca, o país mantém procura ativa, ainda que com sinais crescentes de moderação.
A procura por crédito à habitação na Europa está a dar sinais de travagem. A combinação entre juros elevados e instabilidade internacional , agravada pelo conflito no Médio Oriente , está a alterar o comportamento das famílias e a reforçar a prudência dos bancos. Ainda assim, Portugal segue, para já, um caminho distinto.
Dados do Banco Central Europeu indicam que a procura por crédito imobiliário deverá cair de forma significativa no segundo trimestre de 2026, refletindo a quebra da confiança dos consumidores e o aumento do custo do dinheiro.
Em Portugal, o cenário recente foi diferente. Segundo o Banco de Portugal, a procura por crédito habitação aumentou no início de 2026, impulsionada por fatores como o enquadramento fiscal, expectativas de valorização do imobiliário e a necessidade estrutural de acesso à habitação.
“Não se prevê uma queda abrupta” em Portugal
Apesar da divergência face à Europa, os especialistas admitem que o abrandamento deverá chegar ao mercado nacional, ainda que de forma gradual.
Para o especialista em finanças imobiliárias Gonçalo Nascimento Rodrigues, não se antecipa uma quebra brusca da procura.
Em declarações ao portal idealista/news, diz que o “mais provável é uma normalização ou abrandamento do ritmo de crescimento” e não “uma quebra abrupta da procura”.
O especialista sublinha ainda que os fundamentos do mercado continuam sólidos, nomeadamente a escassez de oferta e os preços elevados, fatores que sustentam a procura mesmo em contextos mais exigentes.
Bancos europeus mais prudentes na concessão de crédito
Do lado da banca, o movimento na zona euro é claro. O Banco Central Europeu antecipa um aperto generalizado dos critérios de concessão de crédito à habitação, reflectindo maior percepção de risco e o impacto das condições financeiras mais exigentes.
As instituições financeiras apontam ainda para o efeito combinado de custos de financiamento mais elevados, maior incerteza geopolítica e expectativas de inflação, fatores que justificam uma postura mais conservadora.
Portugal mantém concorrência, mas com maior selectividade
Em Portugal, apesar da maior prudência, não se espera um endurecimento generalizado no curto prazo. A banca mantém concorrência activa, embora com critérios de análise mais exigentes.
Em declarações que encontrei no portal idealista/news, o responsável pelo idealista/crédito habitação em Portugal, Miguel Cabrita, refere que o impacto da subida das taxas de juro já se faz sentir. Afirma que “as famílias demonstram apreensão com a subida das taxas de juro e isso pode afetar os créditos habitação”.
O especialista alerta ainda que a evolução das Euribor está a traduzir-se em aumentos das prestações mensais, sobretudo nos contratos mais recentes, onde o impacto é mais imediato.
Prestações sob pressão num contexto de incerteza
A pressão sobre os créditos à habitação deverá manter-se, acompanhando a evolução das taxas Euribor, que seguem a trajetória dos juros diretores do BCE.
O cenário perante este contexto, será mais sentido pelas famílias com menor margem financeira, devido ao impacto directo na taxa de esforço e no orçamento mensal.
Um mercado em transição
O crédito à habitação entra assim numa fase de transição: na Europa, o abrandamento parece consolidar-se; em Portugal, a resistência mantém-se, embora com sinais crescentes de moderação.
Entre juros elevados, incerteza global e pressão sobre o custo de vida, o setor aproxima-se de um novo equilíbrio — menos expansivo, mais seletivo e mais sensível ao risco.
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