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Quinta-feira, Abril 16, 2026
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Crise agrícola: fertilizantes disparam, produção atrasa e incerteza domina o setor

A crise no setor agrícola está a agravar-se diariamente. Em entrevista ao jornal aponte, Rui Varela, presidente da direção da ACORPSOR – Associação de Criadores de Ovinos da Região de Ponte de Sôr, alerta para o impacto da subida dos fertilizantes, da escassez de sementes e do atraso provocado pela chuva. “Os custos de produção vão aumentar de forma exponencial em todas as áreas”, sublinha.

A agricultura vive um dos períodos mais incertos dos últimos anos. A subida abrupta dos fertilizantes, a instabilidade internacional, a escassez de sementes e o impacto da chuva na campanha de inverno estão a colocar os produtores perante um cenário de custos elevados e risco permanente. Em conversa com o jornal aponte, Rui Varela descreve um setor que tenta resistir enquanto avalia soluções para garantir a sobrevivência económica das explorações.

A instabilidade internacional está a atingir diretamente o setor agrícola. Rui Varela recorda que “o que está a acontecer no Médio Oriente está a agravar brutalmente o preço dos conteúdos dos fertilizantes”, sublinhando que o problema não se limita ao custo: “nem é só a questão do agravamento de preços, mas provocar a escassez”. Segundo o responsável, este fenómeno está a gerar “uma inflação generalizada no mundo”, com efeitos imprevisíveis.

A chuva intensa comprometeu a campanha de inverno. “Praticamente ninguém semeou”, afirma Rui Varela, explicando que tanto os cereais como as culturas destinadas à alimentação animal ficaram “muito atrasados em relação aos anos normais”. O que foi possível instalar “está em péssimo estado devido à chuva”, agravando a pressão sobre os produtores.

Com a campanha de inverno perdida, resta a aposta na primavera/verão. Mas esta alternativa traz novos desafios: “Tudo o que vamos produzir a partir de agora vai precisar de rega durante o verão”, alerta. Milho para silagem, sorgo ou erva do Sudão implicam consumos elevados de água e energia, num contexto em que “o gasóleo não pára de subir”, as sementes “estão mais caras e escasseiam” e os adubos atingem valores históricos.

A grande dúvida dos agricultores é simples: o mercado vai reconhecer estes custos? Rui Varela é claro: “O agricultor é um empresário e no final das contas tem de sobrar dinheiro, porque se não sobra já não estamos cá.” A instabilidade impede o planeamento e aumenta o risco económico das explorações.

Apesar das dificuldades diárias, a questão do acordo Mercosul e a possibilidade de deslocação a Bruxelas não desapareceram. “No momento certo, provavelmente podemos formar uma comitiva e irmos até Bruxelas manifestarmos”, afirma, garantindo que o tema continua ativo.

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