A instabilidade mundial e a dificuldade na saída de petróleo do Estreito de Ormuz estão a gerar impactos diretos na agricultura local. No programa “À Sombra da Agricultura”, parceria entre o jornal aponte e a ACORPSOR – Associação de Criadores de Ovinos da Região de Ponte de Sôr, Rui Varela alerta para a escassez de gasóleo agrícola, o aumento dos custos de produção e o risco que estas condições representam para a viabilidade das explorações. Como refere: “Temos tido dificuldade em obter o gasóleo (…) alguns fornecedores dizem que não conseguem entregar a totalidade das encomendas”.
A crise energética desencadeada pela instabilidade internacional está a provocar efeitos diretos na agricultura da região. A dificuldade na circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz fez disparar preços e comprometeu o abastecimento de gasóleo agrícola, situação que já se faz sentir no terreno. No programa “À Sombra da Agricultura”, realizado em parceria entre o jornal aponte e a ACORPSOR – Associação de Criadores de Ovinos da Região de Ponte de Sôr, Rui Varela sublinha a gravidade do momento e alerta para o impacto crescente nos custos de produção.
Rui Varela contextualiza o problema: “A dificuldade de saída de petróleo do Estreito de Ormuz criou uma alteração brutal em todo o mundo.” A crise energética, associada à instabilidade internacional, está a repercutir-se diretamente no dia a dia dos agricultores.
Com o avanço das culturas de Primavera-Verão, o consumo de combustível aumenta naturalmente. Contudo, os fornecedores não estão a conseguir responder às encomendas. “Alguns fornecedores dizem que não conseguem entregar a totalidade das encomendas, vão rateando entre os clientes”, explica.
A escassez soma-se à subida acentuada dos preços, criando um cenário de forte pressão económica.
A preparação dos solos, a instalação de culturas como ervilhas ou milho e o trabalho agrícola regular tornam-se mais caros. “O custo da produção vai estar garantidamente mais alto”, afirma Rui Varela, sublinhando que o agricultor não pode suportar sozinho este impacto.
A situação agrava-se num ano já marcado por um inverno difícil: “Foi um inverno complicado (…) isto deixa os agricultores numa situação perigosa.”
Apesar do aumento dos preços no cabaz alimentar, o presidente da ACORPSOR esclarece que esse acréscimo não está a beneficiar quem produz. “As coisas estão a ficar mais caras, mas não é o agricultor que está a ficar com mais dinheiro.”
O risco é claro: explorações com saldo negativo e perda de viabilidade económica.
Rui Varela reforça a importância de apoiar o comércio e a produção local. “Seria importante (…) usar muito o comércio local, comprar aqui localmente”, afirma, reconhecendo que nem todos os setores o permitem, mas sublinhando que onde for possível esse apoio é determinante.