No mais recente aponte Sem Rodeios, Vítor Morgado analisou a polémica envolvendo Ana Abrunhosa na receção ao ministro da Agricultura, o regresso de Pedro Passos Coelho ao espaço público, a intenção de Marcelo Rebelo de Sousa voltar à militância e a escalada militar entre Estados Unidos e Irão. “Não podemos ver o mundo a preto e branco entre bons e maus”, afirmou, defendendo uma leitura equilibrada e crítica perante todas as partes envolvidas.
No programa semanal aponte Sem Rodeios, o comentador Vítor Morgado analisou temas que marcaram a atualidade política nacional e internacional. Da polémica protagonizada por Ana Abrunhosa ao impacto global da tensão entre Estados Unidos e Irão, Morgado defendeu leituras equilibradas, criticou incoerências e alertou para os riscos de um mundo cada vez mais polarizado.
O episódio que marcou a receção ao ministro da Agricultura em Coimbra foi o ponto de partida da análise. Ana Abrunhosa chegou atrasada e criticou o ministro por responder a perguntas dos jornalistas enquanto aguardava a sua chegada. Para Vítor Morgado, a autarca “não esteve bem”, insistindo num confronto desnecessário mesmo após a explicação do ministro. O comentador classificou o momento como uma “guerra de egos”.
Vítor Morgado considerou “estranho” o regresso de Pedro Passos Coelho ao debate político, depois de anos de silêncio estratégico. Recordou que o antigo primeiro‑ministro evitou envolvimento nas presidenciais e manteve distância durante o ciclo de António Costa. Agora regressa com críticas ao Governo e ao PSD, num movimento que, segundo o comentador, pode representar uma tentativa de recuperar influência interna.
Sobre Marcelo Rebelo de Sousa, que anunciou o regresso à militância no PSD, Morgado foi claro: “Para mim é um não assunto.” Sublinhou que Marcelo nunca deixou de ter a sua ideologia e que o gesto não revela ambições políticas. Considera, contudo, que o antigo Presidente continuará a intervir no espaço público, mantendo o estilo crítico que o tornou popular enquanto comentador.
A análise internacional ocupou grande parte da conversa. Morgado rejeitou leituras dicotómicas: “Somos os bons, eles são os maus.” Defendeu que tanto o Irão como os Estados Unidos já tiveram comportamentos condenáveis e que a Europa falha ao não criticar ambos. Sublinhou ainda que a intervenção norte‑americana sem mandato das Nações Unidas é problemática, tal como a resposta iraniana, ainda que esta tenha visado bases militares.
O comentador alertou para o perigo de legitimar ações unilaterais: “Se nós podemos fazer guerras preventivas, então a Rússia também pode.” Considera que a narrativa de “democratizar o Irão” é falsa, lembrando que vários países aliados do Ocidente não são democracias. Para Morgado, o objetivo real passa por “esfrangalhar o país”, tal como, no seu entender, aconteceu na Venezuela.
Morgado admitiu que a escalada militar pode ser usada para desviar atenções de problemas internos nos Estados Unidos. Recordou que a população norte‑americana rejeita novos conflitos e que prolongar a guerra pode prejudicar Donald Trump nas intercalares. Levantou ainda a hipótese de o Presidente tentar justificar o adiamento de eleições com base no estado de guerra.
Apesar de Portugal não estar diretamente envolvido no conflito, Vítor Morgado lembrou que a Base das Lajes foi utilizada por caças norte‑americanos, o que retira ao país a ideia de neutralidade. Criticou também a posição oficial portuguesa, que condenou apenas o Irão: “É possível criticar o Irão e criticar os Estados Unidos. Não temos de estar obrigatoriamente de um lado.”