19.5 C
Ponte de Sôr
Domingo, Julho 12, 2026
Início Rubricas FMI pede fim dos apoios aos jovens na compra de casa

FMI pede fim dos apoios aos jovens na compra de casa

O FMI defende a reversão dos apoios destinados aos jovens na compra da primeira habitação, argumentando que medidas como a garantia pública no crédito e a isenção de IMT e Imposto do Selo aumentaram a procura num mercado já marcado pela escassez de oferta, contribuindo para novas pressões sobre os preços.

No programa “Você Sabia”, Sandra Lopes analisa a posição do FMI sobre os apoios à compra de habitação por jovens e o impacto destas medidas num mercado onde a falta de oferta continua a ser o principal desafio estrutural.

Os apoios ajudaram ou fizeram subir os preços?
E no Você Sabia voltamos a pegar em estudos europeus sobre a habitação em Portugal…
Os apoios criados pelo Governo para facilitar a compra da primeira habitação por jovens estão a dividir economistas, sector imobiliário e decisores políticos. O debate ganhou novo fôlego esta semana depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) defender a reversão de medidas como a garantia pública no crédito à habitação e a isenção de IMT e Imposto do Selo, argumentando que estas acabaram por aumentar a procura e agravar os desequilíbrios do mercado.
No relatório anual sobre Portugal, divulgado esta quarta-feira, a instituição considera que os incentivos destinados aos jovens compradores contribuíram para pressionar ainda mais um mercado já marcado pela escassez de oferta e pela subida persistente dos preços. Para o FMI, as políticas públicas devem concentrar-se sobretudo no aumento da oferta de habitação, através da simplificação dos licenciamentos, da revisão das regras de uso do solo e de medidas que incentivem a construção e o mercado de arrendamento.
A avaliação surge quase dois anos depois da entrada em vigor de um conjunto de medidas destinadas a facilitar o acesso dos jovens à habitação. Entre elas está a garantia pública que permite financiar a totalidade do valor de compra de um imóvel, bem como a isenção de IMT e Imposto do Selo na aquisição da primeira casa.
Para muitos jovens, os apoios representaram uma oportunidade de entrar num mercado onde o principal obstáculo continua a ser a necessidade de capital inicial. A redução dos encargos fiscais e a possibilidade de recorrer a financiamento com menor entrada permitiram concretizar a compra da primeira habitação em muitos casos que, de outra forma, poderiam ter ficado adiados.
No entanto, vários especialistas alertam que, quando a oferta de casas não acompanha o aumento da procura, os incentivos podem acabar por ter um efeito contrário ao desejado. Em vez de reduzirem os custos para os compradores, parte do benefício acaba por reflectir-se nos preços de venda dos imóveis.
A discussão não é nova. Nos últimos anos, diversas organizações internacionais têm defendido que os problemas de acessibilidade à habitação em Portugal resultam sobretudo da falta de oferta, dos longos processos de licenciamento urbanístico e da reduzida disponibilidade de casas para arrendamento e venda nas zonas de maior procura.
O Governo tem defendido os resultados das medidas, sublinhando que milhares de jovens já beneficiaram dos apoios e que estes ajudaram a reduzir uma das principais barreiras à aquisição de habitação própria. O executivo reconhece, contudo, que o aumento da oferta continua a ser um desafio estrutural e tem apontado para novas medidas destinadas a acelerar a construção e a reabilitação de imóveis.
A posição do FMI deverá reacender a discussão sobre a eficácia das políticas de apoio à compra de casa. Entre a necessidade de ajudar os jovens a entrar no mercado e o risco de alimentar novas subidas de preços, o debate continua aberto sobre qual a melhor forma de responder à crise da habitação que afecta milhares de famílias em Portugal.

O Você Sabia volta para a semana, até lá fique bem!

Artigo anteriorRegatas e RAID dinamizam o Raid Náutico Praias de Montargil 2026
Próximo artigoTribunal mantém suspensão provisória da Barragem do Pisão e reforça princípio da precaução