“Existe uma necessidade permanente de ajustar a formação às necessidades reais das entidades, porque não conseguimos formar 20 pessoas de um dia para o outro”, afirma Paulo Tavares, diretor adjunto do IEFP de Ponte de Sôr, sublinhando a importância da proximidade territorial, da certificação profissional e da resposta às novas dinâmicas económicas e demográficas.
O IEFP desempenha um papel central no equilíbrio entre emprego, formação e desenvolvimento económico. Em Ponte de Sôr, esta missão ganha particular relevância devido à diversidade de setores, à sazonalidade agrícola, ao crescimento industrial e à chegada de novos públicos. Nesta entrevista, Paulo Tavares explica como o instituto responde aos desafios presentes e prepara o território para os que se aproximam.
O Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) continua a ser, para muitos cidadãos, associado sobretudo ao subsídio de desemprego. Contudo, como explica Paulo Tavares, diretor adjunto do IEFP de Ponte de Sôr, essa é apenas uma pequena parte da missão do instituto. A estrutura local integra o Centro de Emprego e Formação Profissional de Portalegre, dirigido pela Doutora Maria Conceição Silva, e abrange os concelhos de Ponte de Sôr, Gavião, Sousel e Avis.
A atuação do IEFP assenta em duas grandes áreas: emprego e formação. No domínio do emprego, o instituto procura ajustar a oferta das entidades às competências dos utentes inscritos, garantindo respostas às necessidades de mão de obra. Paralelamente, gere apoios à contratação, frequentemente utilizados por empresas que procuram incentivos financeiros para integrar novos trabalhadores.
Outra vertente relevante é a inclusão, com destaque para o apoio a pessoas com deficiência que desempenham funções em IPSS e municípios. A reinserção profissional é igualmente central, permitindo que pessoas afastadas do mercado de trabalho recuperem hábitos laborais e competências essenciais.
A proximidade territorial é, segundo Paulo Tavares, um dos fatores decisivos para o sucesso do IEFP. A capacidade de identificar necessidades locais seja na restauração, na aeronáutica ou na floresta permite ajustar a oferta formativa e antecipar carências futuras. A sazonalidade agrícola, marcada pela cortiça e pelas podas, continua a influenciar o fluxo de inscrições e a necessidade de formação específica. A parceria com a Corticeira Amorim é um exemplo disso, tendo sido criada formação dedicada aos operadores das máquinas de extração de cortiça.
O diretor adjunto defende também a importância da certificação profissional, sublinhando que Portugal ainda não avançou de forma plena para um modelo que garanta competências certificadas em todas as profissões. Para o responsável, esta certificação é uma garantia tanto para trabalhadores como para empregadores.
Outro desafio crescente é o aumento de trabalhadores estrangeiros que não dominam a língua portuguesa. O IEFP tem vindo a reforçar a oferta de PLA Português Língua de Acolhimento — considerada uma prioridade nacional. Durante a chegada de refugiados da Ucrânia, o Alentejo chegou a formar, à distância, pessoas de todo o país.
No campo da formação técnica, o IEFP dispõe de um polo com áreas como manutenção industrial, estruturas e mecânica de aeronaves, serralharia e compósitos. As instalações foram recentemente transferidas para um novo espaço requalificado pelo município, oferecendo melhores condições e maior proximidade ao centro empresarial local. Apesar da transição, a formação não foi interrompida, tendo sido adaptada temporariamente ao polo existente.
A mobilidade e o alojamento continuam a ser obstáculos significativos para atrair formandos de outras regiões. Paulo Tavares considera que uma residência seria determinante para captar pessoas de territórios mais populosos, como Abrantes ou Torres Novas, sobretudo tendo em conta o crescimento industrial da região.
A construção de novas unidades industriais, incluindo a futura fábrica do avião português, aumenta a pressão sobre a necessidade de mão de obra qualificada. O IEFP está a trabalhar de forma articulada com os centros de Évora, Beja e Portalegre para preparar respostas conjuntas. Para o responsável, a imigração será inevitavelmente uma das soluções para suprir as necessidades do mercado de trabalho, desde que acompanhada por formação linguística e qualificação profissional.