O novo episódio do aponte AMBIENTAL analisa o impacto climático do Mundial de Futebol de 2026, considerado por vários especialistas como potencialmente o mais poluente da história. Entre viagens aéreas de milhares de quilómetros, emissões estimadas em nove milhões de toneladas de CO₂ e previsões de calor extremo em várias cidades anfitriãs, cresce a preocupação sobre os riscos para jogadores, adeptos e para o planeta.
O Mundial de Futebol de 2026, organizado por Estados Unidos, Canadá e México, promete ser o maior de sempre — mas também um dos mais controversos do ponto de vista ambiental. Com emissões recorde, deslocações aéreas intensivas e previsões de calor extremo, o torneio levanta questões urgentes sobre sustentabilidade e responsabilidade climática no desporto.
No Aponte Ambiental de hoje olhamos para um lado menos falado do Mundial de Futebol de 2026 que começa esta semana: o impacto ambiental e climático daquele que poderá ser o campeonato do mundo mais poluente da história. Entre viagens aéreas, calor extremo e emissões recorde, cresce a preocupação de cientistas e ambientalistas sobre o verdadeiro custo climático deste megaevento.
O Mundial de 2026 vai ser organizado por três países — Estados Unidos, Canadá e México — e contará, pela primeira vez, com 48 seleções. À primeira vista parece apenas uma grande festa do futebol. Mas a dimensão do torneio está também a levantar sérias preocupações ambientais.
Segundo o jornal britânico The Guardian, as estimativas apontam para cerca de nove milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente emitidas durante o Mundial. É quase o dobro da média histórica dos campeonatos anteriores. Grande parte dessas emissões vem das viagens aéreas, já que as equipas, adeptos e jornalistas terão de percorrer milhares de quilómetros entre cidades muito distantes.
Há seleções que poderão viajar mais de cinco mil quilómetros entre jogos. Mesmo com algumas medidas de compensação ambiental anunciadas pela FIFA, muitos especialistas consideram que estamos perante um exemplo claro de greenwashing — falar de sustentabilidade sem reduzir realmente o impacto ambiental.
Outro dos grandes problemas será o calor extremo. Estudos recentes mostram que muitas cidades anfitriãs poderão registar temperaturas e níveis de humidade perigosos para jogadores, árbitros e adeptos. Algumas partidas poderão acontecer em condições próximas dos limites considerados seguros para a prática desportiva.
Os investigadores alertam que as alterações climáticas estão já a afetar o futebol profissional. O calor intenso reduz o rendimento físico, aumenta o risco de desidratação e pode provocar problemas de saúde graves. E não afeta apenas quem está dentro do campo — também milhares de adeptos estarão expostos a temperaturas muito elevadas.
Para reduzir o risco, a FIFA prevê pausas para hidratação e jogos em horários noturnos em algumas cidades. Mas muitos especialistas defendem que estas medidas não resolvem o problema de fundo: continuar a organizar megaeventos globais altamente dependentes de viagens aéreas e consumo intensivo de energia.
Há ainda outra polémica. Um dos principais patrocinadores do Mundial é a Aramco, gigante petrolífera da Arábia Saudita e uma das maiores emissoras de gases com efeito de estufa do planeta. Vários jogadores e ativistas criticaram esta parceria, considerando contraditório associar o futebol e a sustentabilidade a empresas ligadas aos combustíveis fósseis.
Tudo isto mostra como o desporto também está ligado à crise climática. O futebol mobiliza milhões de pessoas e tem um enorme poder de influência. Por isso, muitos defendem que grandes competições internacionais deveriam dar o exemplo na redução de emissões e na promoção de soluções mais sustentáveis.
O Mundial de 2026 poderá entrar para a história dentro de campo… mas também como um símbolo dos desafios ambientais do nosso tempo.
Conselho ambiental:
O desporto pode ser uma ferramenta poderosa para sensibilizar para as alterações climáticas. Sempre que possível, opte por transportes públicos, reduza viagens desnecessárias e apoie eventos mais sustentáveis. Pequenas escolhas individuais também ajudam a reduzir a pegada ecológica coletiva.
E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!