A nova campanha dos olivais apresenta uma floração “enormíssima”, resultado de um inverno chuvoso que favoreceu o desenvolvimento das árvores. No entanto, Rui Varela, presidente da ACORPSOR, alerta para atrasos nos trabalhos de campo e para os primeiros sinais de pragas, agravados pelas oscilações meteorológicas desta Primavera.
A edição desta semana do À Sombra da Agricultura, realizada em parceria entre o jornal aponte e a ACORPSOR, centra‑se no ponto de situação dos olivais num ano marcado por uma floração excecional, mas também por atrasos significativos nos trabalhos e por riscos crescentes associados à instabilidade meteorológica. Rui Varela sublinha que, apesar do potencial produtivo, a campanha depende agora da evolução do clima e do controlo das pragas que começam a surgir.
A campanha dos olivais em 2026 apresenta‑se com sinais muito positivos, sobretudo no que diz respeito à floração. Segundo Rui Varela, presidente da ACORPSOR, tanto os olivais modernos intensivos e superintensivos como os tradicionais mostram um desenvolvimento muito favorável após um inverno marcado por elevada pluviosidade. As árvores reagiram bem às condições e exibem uma floração abundante, que, à primeira vista, aponta para uma produção elevada.
Contudo, o responsável alerta que ainda é cedo para antecipar resultados. A Primavera tem registado oscilações bruscas de temperatura, alternando períodos de calor intenso com episódios de chuva. Estas variações já originaram os primeiros sinais de olho‑de‑pavão, podendo seguir‑se as traças e a primeira geração da mosca da azeitona. A presença destas pragas exige atenção redobrada e intervenção atempada para evitar perdas significativas.
Os trabalhos de campo também sofreram atrasos. Nos olivais tradicionais, onde não existem sistemas de drenagem, o trânsito de tratores foi dificultado pelas zonas baixas que permaneceram encharcadas durante semanas. As podas foram adiadas e, nas áreas onde é permitido, as queimas de sobrantes também sofreram atrasos devido às condições meteorológicas. Em alternativa, alguns produtores optaram pela trituração com destroçadores de martelos, recorrendo a tratores mais potentes para compensar o atraso acumulado.
Apesar destes constrangimentos, Rui Varela considera que ainda é possível recuperar o tempo perdido. O período crítico estende‑se até meados de junho, sendo essencial que não ocorram picos de temperatura demasiado elevados. Dias repentinos com 40 graus podem comprometer a fixação das flores, mesmo quando a floração é abundante. Por outro lado, alguma chuva não é prejudicial, embora o excesso de humidade possa dificultar a circulação do pólen e favorecer o desenvolvimento de fungos.
O presidente da ACORPSOR deixa ainda uma nota técnica relevante: mesmo quando as árvores apresentam uma floração exuberante, basta que 1 a 3% das flores sejam fecundadas para garantir uma grande produção de azeitona. A queda natural da flor, que frequentemente deixa o solo branco, não deve ser interpretada como sinal de perda significativa.
Com a campanha agora a iniciar‑se, Rui Varela reforça que o potencial é elevado, mas dependente da conjugação de fatores meteorológicos e da capacidade de resposta às pragas que começam a surgir. A expectativa é positiva, desde que as condições se mantenham dentro dos parâmetros adequados nas próximas semanas.