Remoção de barreira na ribeira de Santarém devolve passagem a espécies ameaçadas

A remoção de uma antiga barreira na ribeira de Santarém permitirá restabelecer a ligação natural dos ecossistemas aquáticos, beneficiando espécies ameaçadas como a boga-portuguesa e a enguia-europeia. A intervenção integra um esforço mais amplo de recuperação das linhas de água e promoção da biodiversidade em Portugal.

A recuperação dos rios passa muitas vezes por devolver à natureza aquilo que lhe foi retirado ao longo de décadas. Na ribeira de Santarém, a remoção de uma antiga barreira vai permitir que peixes migradores, anfíbios e outras espécies voltem a circular livremente, reforçando a biodiversidade e contribuindo para a regeneração dos ecossistemas fluviais. Este é o tema em destaque de mais uma edição do aponte AMBIENTAL, espaço realizado em parceria entre o jornal aponte e a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza.

Desde há uma semana que a ribeira de Santarém vai começar a recuperar o seu curso natural. Uma barreira antiga, conhecida pelos moradores como “a pedreira”, está finalmente a ser removida. Foi construída há muitos anos com pedras e, apesar de parecer inofensiva, tem impedido a passagem de várias espécies que dependem deste rio para sobreviver. Entre elas estão a boga‑portuguesa e a enguia‑europeia, ambas em risco de extinção, e também répteis e anfíbios como a rã‑de‑focinho‑pontiagudo.

Mesmo ao lado da ribeira existe um santuário de 27 hectares criado pela SOS Animal, onde são acolhidos animais silvestres que precisam de apoio, como sacarrabos, javalis e lontras. É neste contexto que a remoção da barreira ganha ainda mais importância. A presidente da associação, em entrevista à Wilder, Sandra Duarte Cardoso, explicou que, por ser uma estrutura antiga e irregular, não é possível usar máquinas. Os trabalhadores vão ter de desmontar tudo manualmente, dentro da água, num processo que deve durar cerca de duas semanas. A intervenção é feita por uma empresa especializada e financiada pelo programa European Open Rivers.

Esta é a segunda barreira a ser removida na ribeira de Perofilho. Em 2024 foi demolida uma estrutura de betão construída nos anos 80, que funcionava como uma parede onde muitos animais ficavam presos e acabavam por morrer. Depois dessa remoção, a paisagem mudou completamente: a água voltou a fluir, a vegetação recuperou e o local tornou‑se ponto de descanso para lontras e outras espécies.

Com a nova remoção, espera‑se que diferentes populações de peixes e outros animais voltem a conectar‑se, o que é essencial para a diversidade genética e para a sobrevivência das espécies. Esta ação faz parte de um esforço maior: em 2025, a Europa registou mais de 600 barreiras fluviais demolidas, e Portugal tem metas ambiciosas no Plano Nacional de Restauro da Natureza e no programa Pró‑Rios, que pretende recuperar mais de 1500 quilómetros de linhas de água até 2030.

Ao retirar estas barreiras ou barragens, devolvemos o rio à natureza. Permitimos que a vida volte a circular, que os habitats se regenerem e que a biodiversidade ganhe força. É um gesto que abre caminho para um futuro mais saudável para todos — pessoas, rios e animais.

Conselho ambiental

A gestão da água é um dos grandes desafios do século XXI. Por isso, é importante acompanhar e participar nos processos de decisão sobre o território, contribuindo para soluções que conciliem as necessidades das populações com a proteção dos ecossistemas e dos recursos naturais. Consulte regularmente o site www.participa.pt e veja que consultas públicas estão abertas e participe. Juntos somos mais fortes!

E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!


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