Víbora‑cornuda no Alto Alentejo: soro antiveneno já disponível no Hospital de Portalegre

A víbora‑cornuda, a única serpente venenosa existente no Alto Alentejo, é um animal discreto e essencial no equilíbrio ecológico. As sessões de esclarecimento promovidas pela Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano reforçaram que as mordeduras são raras e não mortais, e que o Hospital de Portalegre passou a dispor de soro antiveneno específico para situações excecionais.

A víbora‑cornuda, espécie protegida e classificada como Vulnerável em Portugal, continua a ser alvo de mitos e receios infundados. No novo episódio de aponte AMBIENTAL, José Janela, da Quercus, esclarece os riscos reais, a importância ecológica deste réptil e a recente disponibilização de soro antiveneno no Hospital de Portalegre, reforçando a capacidade de resposta da região.

Hoje falamos de um animal que desperta curiosidade, mas também algum receio: a víbora-cornuda. Esta é a única serpente venenosa que existe no Alto Alentejo e recentemente surgiu uma boa notícia: o Hospital de Portalegre passou a dispor de soro antiveneno específico para situações de mordedura.

A víbora-cornuda, cujo nome científico é Vipera latastei, é uma serpente de pequenas dimensões, geralmente com menos de 70 centímetros. Tem uma coloração acinzentada ou acastanhada, uma faixa escura em ziguezague ao longo do corpo e uma pequena saliência na ponta do nariz que lhe dá o nome de víbora-cornuda.

Apesar da sua fama, trata-se de um animal discreto e difícil de observar. Passa grande parte do tempo escondida entre pedras, matos ou vegetação e caça sobretudo pequenos mamíferos, ajudando a controlar populações de roedores.

A Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano promoveu sessões de esclarecimento nas sedes de conselho da área do Parque Natural da Serra de São Mamede: Marvão, Castelo de Vide, Portalegre e Arronches.

Aí foi dito que as mordeduras são muito raras. Normalmente acontecem quando uma pessoa não vê o animal e se aproxima demasiado ou tenta capturá-lo. A víbora não ataca pessoas deliberadamente; a sua reação surge apenas quando se sente ameaçada. Não é mortal para a espécie humana. Foi referido que não há registo de que tenha havido alguma morte devido à mordedura de víbora cornuda.

Ainda assim, uma mordedura deve ser sempre considerada uma emergência médica. Os especialistas recomendam manter a calma, evitar movimentar a zona afetada e contactar imediatamente os serviços de emergência, o 112, ou dirigir-se ao hospital de Portalegre. Não se deve tentar cortar a ferida, aplicar torniquetes ou aspirar o veneno.

A existência de soro antiveneno no Hospital de Portalegre representa uma melhoria importante na capacidade de resposta da região, permitindo um tratamento mais rápido em situações excecionais de envenenamento.

Importa também lembrar que a víbora-cornuda é uma espécie protegida e classificada como Vulnerável em Portugal. A destruição dos habitats naturais tem contribuído para o declínio das suas populações.

Muitas vezes, os répteis são vítimas de mitos e preconceitos. No entanto, desempenham funções importantes nos ecossistemas e ajudam a manter o equilíbrio da natureza. Conhecê-los melhor é também uma forma de os proteger.

Conselho ambiental

Quando caminhar na natureza, utilize calçado adequado e mantenha-se nos trilhos sempre que possível. Se encontrar uma víbora, observe-a à distância e afaste-se. Educar as crianças para conhecerem e respeitarem os répteis é uma das melhores formas de combater o medo e proteger a biodiversidade. Se for avistada perto de habitações pode também ligar o número SOS Ambiente 808 200 520. Haverá uma equipa de profissionais que se deslocarão à localidade para retirar a víbora do local.

E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!

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