O novo regime de apoios à instalação de produtores pecuários e à conversão de matos em pastagens, financiado pelo Fundo Ambiental, promete dinamizar terrenos rurais no Alentejo. A medida pode atrair novos investidores e tornar produtivas áreas abandonadas, mas especialistas alertam para riscos de valorização excessiva e pressão sobre pequenos proprietários.
O Governo aprovou um regime de apoios destinado ao pastoreio e à conversão de matos em pastagens, com impacto direto em várias freguesias do Alentejo. A medida pretende reduzir o risco de incêndios e promover uma ocupação mais ativa do território, mas levanta preocupações sobre especulação fundiária e aumento dos preços da terra.
Apoios ao pastoreio valorizam terras, mas levantam risco de especulação
O Governo aprovou um novo regime de apoios destinado à instalação de produtores pecuários e à conversão de matos em pastagens, com impacto direto em várias freguesias do Alentejo.
A medida, publicada em Diário da República através da Portaria n.º 142/2026, integra a estratégia nacional de prevenção de incêndios rurais, apostando no pastoreio, como forma de reduzir a carga de combustível nos territórios mais vulneráveis, o que há largas dezenas de anos acontecia.
No Alentejo, o regime abrange freguesias como São Barnabé, no concelho de Almodôvar, todas as freguesias de Castelo de Vide e Marvão, Belver e a União de Freguesias de Gavião e Atalaia, no concelho de Gavião, bem como Montalvão, Santana e São Matias, em Nisa.
Estão ainda incluídas São Martinho das Amoreiras, em Odemira, Santana da Serra, em Ourique, e várias freguesias do concelho de Portalegre, como Alagoa, Alegrete e diferentes uniões de freguesia da região.
O programa, financiado pelo Fundo Ambiental, prevê apoios até 30 mil euros por produtor, incluindo incentivos à instalação e à aquisição de animais, com contratos de duração até cinco anos.
Especialistas indicam que esta medida poderá dinamizar o mercado de imóveis rurais, tornando produtivos terrenos actualmente abandonados e aumentando o interesse de investidores e novos agricultores.
No entanto, não posso deixar de anotar que há também riscos associados. A valorização repentina destas zonas pode levar à especulação fundiária, ao aumento dos preços da terra em áreas específicas e a uma maior pressão sobre pequenos proprietários, que poderão enfrentar dificuldades em manter ou adquirir terrenos.
Apesar destes desafios, o Governo defende que a medida permitirá reduzir o risco de incêndios e promover uma ocupação mais activa e sustentável do território rural.
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