11.7 C
Ponte de Sôr
Domingo, Maio 31, 2026
Início Rubricas À sombra da agricultura Pastagens em fim de ciclo e cortiça sem escoamento: a análise de...

Pastagens em fim de ciclo e cortiça sem escoamento: a análise de Rui Varela

Na segunda quinzena de abril, Rui Varela observa pastagens já em fim de ciclo, afetadas por meses de chuva seguidos de ausência total de precipitação, e alerta para um mercado da cortiça parado, apesar de um ano promissor nos montados.

A primavera de 2026 não correspondeu às expectativas no terreno. Apesar de meses de chuva intensa e barragens cheias, as pastagens entraram rapidamente em fim de ciclo e o mercado da cortiça permanece estagnado. Em visita a uma parcela de montado, Rui Varela, presidente da direção da ACORPSOR, descreve a realidade agrícola atual.



Na segunda quinzena de abril, Rui Varela deslocou‑se a uma parcela de montado para avaliar o estado das pastagens. Apesar do cenário visualmente verde, o responsável explica que a produção está em fim de ciclo e muito aquém do esperado. Após meses consecutivos de chuva, muitas espécies espontâneas morreram por asfixia radicular, comprometendo o desenvolvimento natural da vegetação.

Segundo Rui Varela, a expectativa inicial era de uma primavera com elevada produção de massa verde. No entanto, a ausência total de precipitação nas últimas semanas impediu a recuperação das plantas. O que permanece no terreno são ervas já em transição para seco, sem interesse alimentar para os animais, conhecidas vulgarmente como “pelo de cão”.

Debaixo dessa camada ainda surgem algumas espécies bravas típicas de solos ácidos, mas já em fase de floração e encerramento de ciclo, procurando apenas garantir a produção mínima de semente para o ano seguinte. A situação é particularmente evidente em parcelas que foram mobilizadas, semeadas e adubadas no ano anterior, onde o resultado final é descrito como “muito fraco”.

O mesmo cenário verifica‑se nos fenos, mesmo em solos tradicionalmente mais fortes, como os barros de Alter e Avis. Alguns produtores aplicaram adubação de cobertura, o que gerou uma resposta inicial positiva, com plantas de cor verde escura. Contudo, sem chuva posterior, as raízes profundas apodreceram e apenas subsistiram raízes superficiais, agora expostas a solo seco, temperaturas de 30 graus e vento.

Rui Varela sublinha que não se trata de um ano dramático, mas confirma que a produção de pastagem será reduzida em quantidade e qualidade. Apesar de as barragens estarem cheias e a disponibilidade de água não ser motivo de preocupação imediata, a primavera agrícola ficou comprometida. Mesmo que chova nas próximas semanas, o efeito já não será benéfico para as pastagens e poderá até prejudicar algum trabalho de fenação.

Aproveitando a visita ao montado, o presidente da ACORPSOR comenta ainda o estado dos sobreiros. As árvores apresentam vigor, com mudança de folha, floração intensa e boas perspetivas de produção de fruto. No entanto, o mercado da cortiça permanece parado. Segundo refere, os industriais não estão a procurar produto e há cortiças que ficaram na árvore mais um ano. A situação é volátil e difícil de prever, mas o cenário atual é de estagnação.

Artigo anteriorAlojamento Local em Portugal: Dados, Lei e Estratégia para Investir com Segurança
Próximo artigoColisão na EN2 provoca dois feridos ligeiros em frente ao Aeródromo Municipal