Quercus | Livro de toda a biodiversidade do Golfo da Guiné coordenado por Luís Ciríaco

Foi publicado o livro “Biodiversidade das Ilhas Oceânicas do Golfo da Guiné”, coordenado por Luís M. P. Ciríaco, naturalista formado na Universidade de Évora. Esta obra pioneira reúne, pela primeira vez, todo o conhecimento científico sobre as espécies e ecossistemas das ilhas de São Tomé, Príncipe e Annobón. Com 25 capítulos, o livro aborda desde os aspetos físicos e biológicos até às dimensões sociais e económicas, sendo uma ferramenta essencial para políticas públicas e projetos de conservação. O acesso é livre e está disponível online.

Hoje trago-vos uma notícia inspiradora para todos os que gostam de natureza e ciência. Foi publicado o livro Biodiversidade das Ilhas Oceânicas do Golfo da Guiné, uma obra pioneira e única no mundo. Pela primeira vez, todo o conhecimento científico sobre as espécies e os ecossistemas destas ilhas tropicais foi reunido num só volume.

E sabem quem coordenou este trabalho? Luís M. P. Ciríaco, um naturalista que foi aluno da Universidade de Évora, aqui bem perto de nós. A sua trajetória mostra como a investigação feita em Portugal pode ter impacto a nível internacional.

As ilhas de São Tomé, Príncipe e Annobón, localizadas no Golfo da Guiné, são verdadeiros laboratórios da natureza. Isoladas durante milhões de anos, desenvolveram uma biodiversidade única, com espécies que não existem em mais nenhum lugar do planeta. Falamos de aves, anfíbios, plantas e insetos que só lá podemos encontrar. Não é por acaso que estas ilhas são chamadas de “ilhas da biodiversidade”.

Mas, apesar desta riqueza natural, o conhecimento estava disperso em centenas de estudos. Foi esse vazio que levou Luís Ciríaco e mais de 80 cientistas de várias partes do mundo a unirem esforços para criar este livro.

A obra está organizada em 25 capítulos. Começa por apresentar os aspetos físicos das ilhas: o clima, os solos e a geologia. Depois, mergulha nos ecossistemas: as florestas tropicais húmidas, as praias, os recifes de coral. Dedica capítulos inteiros a grupos de seres vivos, desde plantas a insetos, répteis, anfíbios, aves e mamíferos. Há também atenção especial para a vida marinha, tão essencial às populações locais.

Mas o livro vai além da biologia. Aborda o contexto social e económico das ilhas, mostrando como a vida das comunidades se entrelaça com a natureza. Analisa ainda as ameaças que persistem: a desflorestação, as espécies invasoras, a pressão do turismo, a poluição marinha e, claro, as alterações climáticas.

Um dos pontos mais interessantes desta publicação é o equilíbrio entre ciência e ação prática. O livro não é apenas uma lista de espécies. É também uma ferramenta de política pública, ao serviço de projetos como o ECOFAC6, o Pacto Ecológico Europeu ou a iniciativa Global Gateway. Em outras palavras, pretende influenciar decisões concretas para proteger este património natural.

E o melhor: o livro é de acesso livre. Qualquer pessoa pode consultá-lo online. Isso significa que professores, alunos, investigadores e cidadãos curiosos podem conhecer melhor esta região do planeta.

Este esforço coletivo mostra que a cooperação internacional é fundamental na conservação. Portugal, através de investigadores como Luís Ciríaco, está a dar um contributo valioso para proteger a biodiversidade africana e, ao mesmo tempo, para reforçar a ligação histórica e cultural com os países do Golfo da Guiné.

O lançamento desta obra é também um convite. Um convite a olharmos para a ciência como ponte entre povos, e para a biodiversidade como um património que não tem fronteiras.

Conselho ambiental
Tal como este livro nos recorda, conhecer é o primeiro passo para proteger. Procure informação de qualidade sobre a biodiversidade — seja das nossas florestas, dos rios ou até de ilhas distantes. Quando compreendemos o valor da vida que nos rodeia, ganhamos vontade de a preservar.

Se tiver curiosidade, consulte este livro online, partilhe-o com amigos ou use-o como recurso educativo.

https://www.cibio.up.pt/fotos/editor2/Science_Society/Resources/Golfo_da_Guine.pdf

E nunca se esqueça: proteger a biodiversidade é também proteger o futuro da humanidade.

Até à próxima edição do Aponte Ambiental.

E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!

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