Polinizadores: o valor invisível que sustenta a agricultura portuguesa

Os polinizadores — das abelhas às borboletas — são responsáveis por mais de metade da produção agrícola nacional, um contributo essencial que ultrapassa os 2 mil milhões de euros por ano. No mais recente aponte AMBIENTAL, analisamos o estudo do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra que revela como a perda destes insetos pode comprometer a economia, a segurança alimentar e a diversidade agrícola em Portugal. Um alerta claro para a urgência de proteger habitats, práticas agrícolas sustentáveis e paisagens ricas em flores.

Olá e bem-vindos a mais um Aponte Ambiental.
Hoje trazemos uma notícia que nos ajuda a olhar de forma ainda mais clara para o valor da natureza que nos rodeia — em particular, os polinizadores. Abelhas, borboletas, moscas e outros insetos que visitam flores não são apenas criaturas bonitas. Eles sustentam plantações, contribuem para a nossa alimentação e representam um valor económico enorme em termos de produção agrícola.

Um estudo científico recentemente do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, publicado na revista científica Regional Environmental Change, analisou pela primeira vez, em detalhe, a contribuição dos polinizadores para a produção agrícola em Portugal ao longo das últimas décadas. Este trabalho combina estatísticas agrícolas nacionais com dados sobre a dependência das culturas em polinização para estimar o valor real que estes insetos trazem à nossa economia e ao território.

O que esta pesquisa revela é impressionante: 54% das culturas em Portugal dependem diretamente da polinização feita por insetos. Isto significa que mais da metade da produção agrícola não seria possível, ou seria muito mais limitada, sem a ação destes pequenos seres.

Em 2023, o valor económico das culturas que dependem de polinizadores ultrapassou os 2 mil milhões de euros, com mais de 53% desse valor diretamente atribuível ao trabalho dos polinizadores.
Entre os produtos agrícolas fortemente dependentes estão frutos frescos, hortícolas e outras culturas essenciais à nossa alimentação diária. Mesmo culturas com menor dependência relativa ainda beneficiam de polinização devido aos seus grandes volumes de produção.

No entanto, o estudo alerta para um risco claro: a intensificação agrícola e a simplificação das paisagens — com monoculturas e menos zonas floridas — ameaçam as comunidades de polinizadores e podem conduzir a défices de polinização no futuro. Isto é motivo de preocupação não apenas para os ecólogos, mas também para quem produz e consome alimentos.

O que este estudo nos mostra é que os riscos para os polinizadores não são um problema distante. Eles estão diretamente ligados à nossa economia agrícola, à diversidade dos nossos produtos e à sustentabilidade do modelo de produção alimentar. Perder polinizadores não significa apenas menos flores — significa menos alimentos, menos rendimentos para agricultores e menos estabilidade para o sistema alimentar.

Mas há soluções e caminho para agir. Os polinizadores prosperam em paisagens diversificadas, com flores ao longo de várias épocas do ano, com práticas agrícolas que evitam o uso excessivo de pesticidas, com zonas de floresta e herbáceas integradas no campo, e com espaço para a natureza coexistir com a produção humana.

Conselho ambiental:
Apoie iniciativas que promovam agricultura amiga dos polinizadores. Plante flora nativa nos seus jardins e quintais, deixe zonas floridas sem cortes frequentes de relva, reduzindo o uso de pesticidas sempre que possível. Incentive os seus agricultores locais e decisores a proteger corredores ecológicos e a integrar estratégias que garantam habitats ricos em flores ao longo de todo o ano. Quando protegemos os polinizadores, estamos a proteger a segurança alimentar, a economia agrícola e a própria biodiversidade que sustenta a vida no campo e na cidade.

Obrigado por acompanhar mais um Aponte Ambiental. Até à próxima edição!

E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!

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