Luísa Figueira: prioridades, desafios e a reconstrução da identidade da freguesia de Ponte de Sor

A Presidente da Junta de Freguesia de Ponte de Sor, Luísa Figueira, faz um balanço do período pós-desagregação, sublinhando a reorganização interna, a relação com as associações, a resposta social e a recuperação das tradições locais. “O nosso objetivo é trabalhar para a nossa população, estejam eles numa localidade a dez ou quinze quilómetros, ou aqui na sede de freguesia”, afirmou durante a entrevista.

A reorganização administrativa do concelho trouxe novos desafios à Junta de Freguesia de Ponte de Sor. Luísa Figueira, Presidente da Junta, explica como está a ser conduzido este processo, quais as prioridades definidas para o território e de que forma a autarquia pretende reforçar a ligação às populações e às associações locais.

Luísa Figueira descreve o período pós-desagregação como um processo “moroso”, marcado pela burocracia e pela necessidade de reorganização interna. A Junta funciona atualmente com três colaboradores, “pessoas muito competentes e experientes”, mas a redistribuição de funções continua em curso para garantir polivalência e evitar dependências operacionais.

A Presidente sublinha que a freguesia é “geograficamente muito dispersa”, o que exige respostas diferenciadas e uma gestão próxima das várias localidades. “O nosso objetivo é trabalhar para a nossa população, estejam eles numa localidade a dez ou quinze quilómetros, ou aqui na sede de freguesia”, afirmou.

Uma das prioridades definidas pelo executivo é o contacto direto com as coletividades e clubes desportivos, que considera “intermediários privilegiados” entre a Junta e os habitantes. Foram enviados contactos a cerca de 30 associações, com o objetivo de conhecer necessidades, dinâmicas e instalações.

A autarca destaca que as respostas não podem ser uniformes: “Uma colectividade pode precisar de 1.000 euros para um telhado, outra de 500 euros para uma pintura, e outras ainda de equipamentos como uma máquina de lavar ou um forno.” A Junta pretende ajustar cada apoio à realidade concreta de cada entidade.

Apesar de reconhecer situações de fragilidade social, Luísa Figueira sublinha que o município tem desempenhado um papel central na resposta social, com equipas técnicas preparadas para avaliar e encaminhar pedidos de apoio. “As pessoas sabem que se devem dirigir ao município”, referiu, lembrando que questões de privacidade e proteção de dados exigem procedimentos específicos.

A Presidente assume como prioridade a recuperação da tradição da Salgueirinha, um marco identitário da freguesia. As obras de recuperação da Fonte do Salgueiro já começaram, num projeto que envolve também o município. A Junta pretende dinamizar a festa de forma contemporânea, mantendo o espírito original e envolvendo as associações locais.

Para a Páscoa de 2027, está prevista a inauguração do Parque da Verinha, com o objetivo de devolver à população um espaço simbólico e historicamente ligado à tradição.

Sobre os efeitos do mau tempo, Luísa Figueira explica que a Junta esteve em contacto permanente com Proteção Civil, Bombeiros e município, disponibilizando meios e apoio logístico. Apesar de alguns danos pontuais, como no Vale de Fundeiros, não foram registadas situações graves no território.

A autarca reforça que a Junta mantém “total disponibilidade” para apoiar sempre que necessário.

No final da entrevista, Luísa Figueira agradeceu o trabalho do jornal aponte, destacando a importância da informação local e da presença no terreno. “Tenta sempre manter a população informada de tudo o que está a acontecer na nossa freguesia e no nosso concelho”, afirmou.

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