Um estudo da Universidade de Otava revela que o aumento das temperaturas pode reduzir a quantidade e a qualidade do néctar produzido pelas flores, afetando diretamente espécies como a borboleta-monarca. Com menos alimento disponível e menor teor de açúcar, os polinizadores enfrentam maiores dificuldades para sobreviver, migrar e reproduzir-se.
Na sequência da parceria estabelecida entre o jornal aponte e a Quercus – Associação Nacional de Defesa da Natureza, semanalmente é tornado público um vídeo dedicado às questões ambientais. Esta semana, o aponte AMBIENTAL aborda um tema que liga ciência, natureza e alterações climáticas: o impacto do aquecimento global no néctar das flores e nos polinizadores.
No aponte Ambiental de hoje falamos de um tema que liga ciência, natureza e alterações climáticas: o néctar das flores e os polinizadores. Um estudo recente da Universidade de Otava, no Canadá, mostra que o aquecimento global pode estar a alterar o alimento de que dependem muitas espécies, como a emblemática borboleta-monarca.
A investigação, publicada na revista científica Global Change Biology Communications, revelou que o aumento da temperatura pode reduzir a quantidade e a qualidade do néctar produzido pelas flores. Em condições mais quentes, algumas plantas produzem menos néctar e com menor teor de açúcar. Isto significa menos energia disponível para polinizadores como a borboleta-monarca, cientificamente conhecida como Danaus plexippus.
E porque é que isto é preocupante? Porque os polinizadores dependem do néctar como principal fonte de energia. Se o alimento for menos abundante ou menos nutritivo, podem ter mais dificuldade em sobreviver, migrar e reproduzir-se. Ao longo do tempo, isso pode afetar populações inteiras de insetos polinizadores e também os serviços ecológicos que prestam à natureza e à agricultura.
Este estudo mostra algo importante: as alterações climáticas podem afetar os polinizadores de forma indireta, ao alterar as próprias plantas de que dependem.
A nível global, muitos polinizadores já estão em declínio. O aumento das temperaturas, as secas e os fenómenos meteorológicos extremos podem reduzir os recursos disponíveis e transformar os habitats destas espécies.
Na Europa, a situação também preocupa os cientistas. Em várias regiões têm sido registadas reduções nas populações de polinizadores e mudanças na biodiversidade. Paisagens agrícolas muito intensivas e fragmentadas tornam estas espécies ainda mais vulneráveis.
E em Portugal esta questão também é relevante. Muitas culturas agrícolas dependem da polinização por insetos como frutas, hortícolas e várias plantas silvestres importantes para os ecossistemas. Se os polinizadores diminuírem, podem surgir impactos na produção alimentar e na biodiversidade.
Por isso, manter paisagens diversificadas e ricas em flores é essencial para proteger estes insetos e garantir o equilíbrio dos ecossistemas.
Conselho ambiental:
plante flores autóctones no seu jardim, varanda ou espaço exterior. Mesmo pequenos canteiros com plantas floridas podem ajudar abelhas e borboletas. Reduzir o uso de pesticidas e manter habitats naturais também faz toda a diferença para proteger os polinizadores.
E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!