A decisão do Governo de aumentar em 110 milhões de metros cúbicos por ano a água a extrair do Alqueva está a gerar preocupação na Quercus e noutras organizações ambientalistas. A maior parte 100 milhões destina-se ao regadio intensivo, num contexto de seca crescente e risco para o abastecimento humano, que a Lei da Água define como prioritário.
A decisão do Governo de aumentar em 110 milhões de metros cúbicos por ano a água a extrair do Alqueva está a gerar preocupação na Quercus e noutras organizações ambientalistas. A maior parte 100 milhões destina-se ao regadio intensivo, num contexto de seca crescente e risco para o abastecimento humano, que a Lei da Água define como prioritário.
Hoje falamos de um tema central para o futuro do Alentejo e do país: a gestão da água do Alqueva.
O Governo decidiu aumentar o volume anual de água disponível para o regadio.
A decisão está a gerar preocupação na Quercus, e noutras organizações ambientalistas, pois há riscos para o abastecimento humano e para a sustentabilidade do território.
O que está em causa é o aumento da água a extrair do Alqueva em cerca de 110 milhões de metros cúbicos por ano.
Deste total, 100 milhões destinam-se ao regadio e apenas 10 milhões ao consumo urbano e industrial.
Na prática, isto significa reforçar ainda mais o uso da água para agricultura intensiva, numa altura em que a água é um recurso cada vez mais escasso.
A preocupação é simples: em períodos de seca severa, que tendem a ser mais frequentes com as alterações climáticas, esta decisão pode reduzir a margem de segurança do sistema para garantir água às populações.
Importa lembrar que a Lei da Água estabelece que o consumo humano deve ser prioritário.
No entanto, atualmente cerca de 95% da água captada no sistema de Alqueva destina-se à atividade económica, sobretudo ao regadio intensivo.
Grande parte da expansão agrícola está ligada a culturas permanentes intensivas, como o olival superintensivo, muitas vezes orientadas para exportação.
Hoje, cerca de 80% da área regada está ocupada por olival, mesmo quando a produção nacional já ultrapassa largamente as necessidades internas.
Ao mesmo tempo, perde-se diversidade agrícola e ocupam-se solos que poderiam ser usados para culturas alimentares essenciais.
Por isso, decisões desta dimensão deveriam ser acompanhadas por estudos de impacte ambiental, avaliações económicas e análises das necessidades futuras de água para as populações e para a indústria.
Estamos perante uma transformação profunda da paisagem e do modelo agrícola do Alentejo.
Se a água for usada de forma excessiva ou pouco equilibrada, podemos comprometer a sustentabilidade dos solos, dos ecossistemas e até a fixação das populações.
O Alqueva é um grande projeto público.
E deve servir o interesse público e o desenvolvimento sustentável do território.
Conselho ambiental
A água é um recurso estratégico e cada vez mais escasso.
Valorize a água no seu dia a dia: use apenas o necessário, evite desperdícios e apoie uma gestão responsável deste recurso.
Porque a água é essencial à vida e o seu futuro depende das escolhas que fazemos hoje.
E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!