Um novo estudo internacional publicado na revista Science alerta que mais de um quinto da história evolutiva das plantas com flor pode desaparecer. As conclusões mostram que milhares de espécies — muitas raras e sem parentes próximos — enfrentam risco de extinção, com impactos profundos nos ecossistemas, na agricultura e na qualidade de vida humana.
O aponte AMBIENTAL desta semana revela um alerta científico de grande escala: 21% da diversidade evolutiva das plantas com flor está ameaçada. A perda destas espécies representa a perda de milhões de anos de adaptações únicas que sustentam ecossistemas, alimentos, medicamentos e a estabilidade climática. O estudo reforça a urgência de proteger habitats naturais, tanto a nível global como em Portugal.
No Aponte Ambiental de hoje falamos de plantas, biodiversidade e extinção. Um novo estudo científico publicado na revista Science alerta que mais de um quinto da história evolutiva das plantas com flor pode estar em risco de desaparecer. Uma ameaça silenciosa, mas com enormes consequências para os ecossistemas… e para a própria humanidade.
As plantas com flor — também chamadas angiospérmicas — são a base da maioria dos ecossistemas terrestres. Alimentam animais, regulam o clima, protegem os solos e garantem muitos dos alimentos e medicamentos de que dependemos.
Mas o novo estudo internacional mostra que milhares de espécies estão ameaçadas. Os investigadores analisaram mais de 335 mil espécies de plantas com flor e concluíram que cerca de 21% da sua diversidade evolutiva está em risco de extinção.
Isto significa que não estamos apenas a perder espécies isoladas. Estamos a perder milhões de anos de evolução, adaptações únicas e características que podem ser fundamentais para o futuro da vida no planeta.
Os cientistas identificaram quase dez mil espécies prioritárias para conservação. Muitas pertencem a linhagens antigas e raras, sem parentes próximos. Se desaparecerem, desaparece também uma parte irrepetível da árvore da vida.
O estudo mostra ainda que as regiões tropicais e as ilhas concentram muitas destas espécies ameaçadas. Madagascar, Bornéu e Equador surgem entre as áreas mais críticas para a conservação das plantas.
As principais ameaças continuam a ser a destruição de habitats, a expansão agrícola intensiva, a desflorestação, as espécies invasoras e as alterações climáticas.
E os investigadores deixam um alerta importante: mesmo pequenos aumentos no risco de extinção podem provocar perdas enormes na biodiversidade global. Se a pressão humana continuar a aumentar, a percentagem de história evolutiva ameaçada poderá ultrapassar um terço.
As plantas continuam muitas vezes esquecidas nas políticas de conservação, quando comparadas com animais mais mediáticos. Mas sem plantas não existem ecossistemas funcionais, nem agricultura, nem polinizadores, nem qualidade de vida humana.
O estudo sublinha também que conservar plantas não é apenas proteger a natureza. É proteger recursos alimentares, medicinais e genéticos que podem ser essenciais para enfrentar os desafios futuros, incluindo as alterações climáticas.
Portugal também enfrenta este desafio. Muitas espécies raras da flora portuguesa dependem da conservação de habitats naturais, como montados, dunas, zonas húmidas ou serras mediterrânicas. Proteger a biodiversidade vegetal é proteger o equilíbrio dos ecossistemas e o património natural do país.
Conselho ambiental:
Valorize as plantas autóctones e os habitats naturais. Evite espécies invasoras no jardim, apoie áreas protegidas e participe em iniciativas de conservação da natureza. Proteger as plantas é proteger a base da vida na Terra mesmo quando muitas vezes passam despercebidas.