Na parceria entre o jornal aponte e a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, o aponte AMBIENTAL analisa o abandono de uma colónia de aves vulneráveis na Albufeira do Caia, em Elvas. A SPEA alertou para a presença de gado numa área proibida, junto a uma pequena ilha onde dezenas de aves nidificavam no solo. Dias depois, os técnicos confirmaram que perdiz‑do‑mar, chilreta e outras espécies aquáticas tinham abandonado os ninhos, perdendo‑se uma época de reprodução numa das zonas mais relevantes da região. O programa reforça que a conservação da natureza depende da aplicação das leis no terreno e inclui conselhos sobre como agir ao encontrar crias de aves no chão.
A Albufeira do Caia, no concelho de Elvas, foi palco do abandono de uma colónia de aves vulneráveis após a presença de gado numa zona sensível de nidificação. A SPEA alertou as autoridades e, dias depois, os técnicos confirmaram que perdiz‑do‑mar, chilreta e outras espécies tinham deixado os ninhos, perdendo‑se uma das épocas de reprodução mais relevantes da região.
No aponte Ambiental de hoje falamos de uma situação preocupante ocorrida na Albufeira do Caia, no concelho de Elvas, onde várias aves ameaçadas abandonaram uma importante colónia de reprodução após a presença de gado numa zona sensível para a biodiversidade.
A denúncia foi feita pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, a SPEA. No início de junho, a associação alertou a Agência Portuguesa do Ambiente, a GNR e o Instituto da Conservação da Natureza para a presença de gado a pastar junto às margens da albufeira, numa área onde o acesso destes animais é proibido.
A preocupação era grande porque existia uma pequena ilha onde dezenas de aves estavam a nidificar diretamente no solo. Entre elas encontravam-se a perdiz-do-mar e a chilreta, duas espécies classificadas como Vulneráveis em Portugal, além de pernilongos e borrelhos-pequenos-de-coleira.
Poucos dias depois do alerta, os técnicos verificaram que as colónias tinham sido abandonadas. Embora não tenham sido encontrados ninhos destruídos pelo pisoteio, a SPEA considera que a perturbação provocada pela presença do gado nas proximidades terá sido a causa mais provável do abandono.
Nesta ilha estavam registados entre 40 e 50 casais de perdiz-do-mar, pelo menos cinco casais de chilreta e vários casais de outras espécies aquáticas. Para a associação, perdeu-se uma época de reprodução numa das áreas mais importantes da região para estas aves.
A SPEA recorda ainda que situações semelhantes já tinham ocorrido anteriormente na Albufeira do Caia e alerta que a presença de gado em áreas de nidificação continua a ser uma das principais causas de insucesso reprodutor destas espécies.
Este caso mostra como a conservação da natureza depende não apenas da existência de leis, mas também da sua aplicação no terreno. Quando as aves que fazem os ninhos no solo são perturbadas durante a reprodução, podem abandonar os ovos ou as crias, comprometendo a sobrevivência das populações.
Num momento em que muitas espécies enfrentam pressões crescentes, desde a perda de habitat às alterações climáticas, proteger os locais de reprodução é uma medida simples, mas essencial para a conservação da biodiversidade.
Conselho ambiental:
- Se encontrar uma cria de ave no chão, não deduza imediatamente que foi abandonada. Muitas espécies saem do ninho antes de saberem voar bem e continuam a ser alimentadas pelos pais nas proximidades. Observe à distância e só intervenha se a ave estiver ferida ou em perigo imediato, por exemplo numa estrada ou ao alcance de predadores domésticos. Observe primeiro e mantenha a distância.
- Não recolha a ave se esta já tiver penas e conseguir saltar ou fazer pequenos voos.
- Afaste-a apenas se estiver em perigo imediato.
- Se tiver poucas penas, estiver ferida ou se se tratar de um andorinhão, contacte um centro de recuperação de fauna selvagem ou o ICNF.
- Nunca tente alimentá-la com pão, leite ou outros alimentos inadequados.
Em caso de dúvida, contacte um centro de recuperação de fauna selvagem ou o ICNF. Muitas vezes, a melhor ajuda é deixar os pais continuarem a cuidar da sua cria. Pode ligar para o SOS Ambiente 808 200 520.
E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!