Na entrevista ao jornal aponte, Jorge Monteiro analisa os desafios pessoais e profissionais da época, a ligação à região e a ambição de crescimento do futsal em Ponte de Sor.
O jornal aponte recebeu Jorge Monteiro para uma entrevista centrada nos desafios pessoais e profissionais que marcaram a última época do futsal do Eléctrico. Entre a adaptação à região, a exigência competitiva, a distância da família e a ambição de crescimento estrutural, o treinador oferece uma leitura rigorosa e humana sobre o presente e o futuro do projecto.
Jorge Monteiro regressa ao jornal aponte para uma entrevista centrada nos desafios pessoais e profissionais que marcaram a última época ao serviço do Eléctrico. O treinador recorda que a decisão de permanecer em Ponte de Sor estava assumida desde o ano anterior, num compromisso pensado para dois anos e dependente dos resultados. Refere que a região o acolheu de forma calorosa, reconhecendo-o na rua e proporcionando um ambiente favorável para trabalhar, descansar e pensar novos projetos. A proximidade das pessoas e a energia positiva da cidade foram determinantes para que se sentisse bem e encarasse Ponte de Sor como uma segunda casa, apesar da distância da família.
Jorge Monteiro admite que esta foi a primeira experiência profissional longe de casa e que o maior desafio foi estar afastado do neto, nascido há dois anos e meio. A ausência diária da família, especialmente da mulher, foi sentida de forma intensa, apesar da facilidade das videochamadas. Sublinha que só permaneceu porque encontrou na região um ambiente saudável, seguro e inspirador, onde pode caminhar junto à zona ribeirinha ou no jardim próximo do estádio, sentindo boas energias que o ajudam a suportar a distância.
No plano desportivo, o treinador assume que tem ainda muito a aprender e a conquistar. Reconhece que o Eléctrico tem potencial, mas carece de estruturas profissionais que permitam crescer. Recorda que o clube, com 98 anos, não tem sede própria e depende de instalações municipais. Defende que o futsal precisa de espaços de trabalho adequados, onde seja possível preparar treinos, analisar vídeos e desenvolver o trabalho técnico sem recorrer a esplanadas ou ao local onde está alojado. Considera que o clube deve apostar numa visão estratégica para os próximos cinco anos, reforçando apoios e criando condições para competir com equipas que dispõem de orçamentos muito superiores.
Jorge Monteiro destaca também a necessidade de ampliar a equipa técnica, que actualmente conta apenas com três elementos, enquanto outras equipas têm cinco ou seis. Refere que muitos dos colaboradores do futsal são voluntários e que isso, embora positivo, tem consequências no futuro competitivo. Defende a integração de mais treinadores credenciados na formação, permitindo acompanhar caloiros, juniores e juvenis, e reforçar a ligação entre formação e equipa sénior.
Sobre a época passada, o treinador sublinha o papel decisivo do capitão Diogo Basílio, que cresceu enquanto líder de balneário e facilitou a integração da equipa técnica. A liderança partilhada foi fundamental para gerir personalidades, egos e momentos difíceis, permitindo transformar um conjunto de jogadores numa equipa coesa. Jorge Monteiro afirma que se sente um bom líder quando a equipa funciona sem depender da sua intervenção constante, e que isso foi sendo conquistado ao longo da época.
A energia dos adeptos também foi tema central. O treinador reconhece que, no início, o apoio não era tão intenso como esperava, mas que a final da Taça da Liga despertou a região. A presença dos Ultras da Ponte foi determinante para os últimos jogos, criando um ambiente forte e mobilizador no pavilhão. Acredita que a confiança dos adeptos foi conquistada e que este apoio será essencial para a nova época.
Jorge Monteiro faz um balanço claro: desenvolveu adaptabilidade, aproximou-se das necessidades da equipa e tornou-se melhor treinador. Considera que a época foi de improváveis e impossíveis conquistados, e que o crescimento só acontece quando se erra, aprende e evolui. Entra na nova época com ambição, consciência das dificuldades e confiança no potencial da equipa e da região.