Os valores de referência para alojamento privado, a escassez de oferta acessível identificada pela DECO PROteste e os apoios previstos pela DGES marcam o início do ano letivo para milhares de estudantes que precisam de sair da sua terra para frequentar o ensino superior.
O início das aulas traz uma preocupação decisiva para milhares de estudantes deslocados: encontrar onde morar. Os valores de referência para 2026, a escassez de oferta acessível e os apoios disponíveis ajudam a perceber a dimensão de um problema que afeta famílias em todo o país.
Para muitos estudantes, o início das aulas traz uma segunda preocupação, para além dos livros e das matrículas: encontrar onde morar. Milhares de jovens têm de sair da terra onde vivem para frequentar o ensino superior. E o alojamento pode representar uma das maiores despesas do orçamento familiar.
A DECO PROteste, num levantamento publicado em Agosto deste ano, alerta precisamente para a escassez de oferta a preços acessíveis. E os valores ajudam a perceber a dimensão do problema. Para 2026, os valores de referência do alojamento privado para estudantes são de 500 euros mensais em Lisboa, 419 euros no Porto, 338 euros em Coimbra, 340 euros em Braga e 404 euros no Funchal. São valores de referência usados no cálculo dos apoios, e não significam que todos os quartos tenham exatamente estes preços.
Os dados do INE permitem ter uma visão mais abrangente do mercado. O Instituto acompanha a evolução das rendas de habitação através do Índice de Rendas de Habitação e da informação sobre os novos contratos de arrendamento. Mas, para quem está agora à procura de quarto, a realidade é muito concreta: centenas de euros por mês, muitas vezes acrescidos de despesas como água, eletricidade ou internet.
Há, no entanto, alguns cuidados que podem fazer diferença. Primeiro: começar a procurar o mais cedo possível e comparar várias alternativas. Segundo: não olhar apenas para o valor anunciado. É importante confirmar o que está incluído na renda e qual será, afinal, o custo mensal. Terceiro: não entregar dinheiro sem verificar as condições do alojamento, a identidade do senhorio e a existência de contrato.
E há ainda apoios que muitos estudantes podem desconhecer. A DGES prevê complementos de alojamento para estudantes deslocados que cumpram as condições exigidas. Para 2026, o complemento base para estudantes bolseiros deslocados corresponde a 161,14 euros por mês. E quem recebe este apoio pode ainda ter direito a outros mecanismos quando não consegue vaga numa residência universitária.
A DECO PROteste recomenda também que os estudantes procurem informação junto da própria instituição de ensino e disponibiliza uma plataforma que permite pesquisar alojamento estudantil por município ou por estabelecimento de ensino.
Porque, nesta altura do ano, encontrar um quarto não é apenas uma questão de conforto. Para muitas famílias, é uma condição para que o estudante consiga efetivamente frequentar a universidade.
No início das aulas, há uma pergunta que se junta à tradicional: “Em que curso entrei?” Para muitos estudantes, a pergunta é outra: “Onde vou conseguir viver?” E, num mercado de arrendamento pressionado, encontrar uma resposta pode ser tão importante como conseguir uma vaga no curso.
Desejo a todos sucesso neste ano letivo e o Você Sabia regressa para a semana. Até lá, fique bem!