No Dia Internacional das Reservas da Biosfera, o jornal aponte destaca a Reserva da Biosfera de Castro Verde, um exemplo de equilíbrio entre natureza e comunidade. Classificada pela UNESCO, esta área alentejana é um laboratório vivo de desenvolvimento sustentável, onde a agricultura tradicional convive com espécies emblemáticas como a abetarda e o sisão. Conheça as rotas naturais, os projetos comunitários e os desafios para manter viva esta reserva única.
Olá e bem-vindos a mais um Aponte Ambiental. Hoje é 3 de novembro, o Dia Internacional das Reservas da Biosfera. Esta data começou a ser celebrada em 2022 e lembra-nos da importância de territórios onde natureza e comunidades vivem em harmonia. As Reservas da Biosfera são concebidas pela UNESCO, organismo das Nações Unidas dedicado à ciência, cultura e educação, como “laboratórios vivos” — espaços onde se testa e pratica o desenvolvimento sustentável com respeito pelos ecossistemas.
Em Portugal temos várias reservas da biosfera e uma delas merece menção especial: a Reserva da Biosfera de Castro Verde, no Alentejo. Foi classificada em 2017, sendo a primeira reserva da biosfera no sul do Tejo. Situa-se no chamado “Campo Branco”, nas planícies alentejanas do Baixo Alentejo, e ocupa cerca de 56 900 hectares com uma população de cerca de 6 800 habitantes.
O que é que torna Castro Verde especial? O território é reconhecido pelo mosaico de ecossistemas que combina agricultura extensiva tradicional, estepes cerealíferas e habitats de grande valor para aves estepárias. Aqui ocorrem espécies emblemáticas como a abetarda, o sisão, o peneireiro-das-torres e a águia-imperial-ibérica, espécies que dependem de amplas áreas abertas e de práticas de gestão que respeitem a natureza. Em Portugal, cerca de 80 por cento da população de abetardas vive dentro da zona de proteção especial de Castro Verde.
Castro Verde é também um exemplo de como comunidades, agricultura e conservação podem coexistir. A iniciativa para criar a reserva envolveu a Câmara Municipal, associações agrícolas e organizações de conservação, como a LPN, Liga para a Proteção da Natureza, num processo participativo que começou em 2013 e culminou com a classificação internacional. O reconhecimento pela UNESCO reforça que ali o desenvolvimento e a proteção ambiental caminham juntos.
No Dia Internacional das Reservas da Biosfera, celebramos o papel destas áreas como modelos de resiliência. Elas demonstram que não é preciso sacrificar a natureza pelo progresso: é possível inovar em turismo sustentável, educação ambiental, agricultura amiga da biodiversidade e salvaguarda cultural. As reservas permitem partilhar experiências, conectar redes e estimular a investigação científica e a valorização local.
Em Castro Verde existem rotas e circuitos naturais para visitantes observarem a natureza, trilhos para ciclistas e projetos de sensibilização comunitária. A reserva é um destino de referência para o birdwatching, especialmente pela abetarda, que é considerado um “chamariz” para quem visita.
Mas reconhecer a reserva não basta. É fundamental que os compromissos se traduzam em ação. É preciso apoiar as práticas agrícolas que respeitam os habitats, reforçar a gestão participativa, garantir financiamento contínuo e promover iniciativas sustentáveis de turismo e educação. As reservas são fortes quando as comunidades as mantêm vivas.
Conselho ambiental: Hoje, conheça, procure informação, partilhe e apoie as reservas da biosfera. Se passar por Castro Verde, percorra as rotas, observe as aves e aprenda com quem lá vive. Quanto mais conhecermos estes territórios, mais fortes serão os argumentos para protegê-los e fazê-los prosperar.
Até à próxima edição do Aponte Ambiental.
E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!

