Depressão Leonardo provoca transbordos, estradas cortadas e dezenas de ocorrências no concelho de Ponte de Sôr

Durante a madrugada, a depressão Leonardo provocou transbordos de várias ribeiras, cortes de estradas e múltiplas ocorrências em diferentes freguesias do concelho. Em entrevista ao jornal aponte, o vereador da Proteção Civil, Manuel Marçal Lopes, descreveu uma noite “muito atribulada”, com equipas municipais, bombeiros e GNR no terreno para responder a situações que, em alguns locais, “nunca se tinham visto”.

A depressão Leonardo deixou um rasto de ocorrências em várias zonas do concelho de Ponte de Sôr. Entre transbordos de ribeiras, estradas cortadas e dezenas de pedidos de intervenção, a Proteção Civil e os serviços municipais passaram a noite no terreno. Em entrevista ao jornal aponte, o vereador Manuel Marçal Lopes detalha a dimensão dos impactos e o trabalho desenvolvido ao longo de horas consecutivas.

A passagem da depressão Leonardo pelo concelho de Ponte de Sôr originou uma madrugada de trabalho intenso para a Proteção Civil, serviços municipalizados, bombeiros e GNR. Segundo o vereador da Proteção Civil, Manuel Marçal Lopes, “não foi o dia, foi a noite e a madrugada” que concentraram as situações mais críticas, obrigando equipas a deslocações constantes em várias freguesias.

Os lençóis de água formados em diferentes vias motivaram sinalizações e cortes, com a GNR a acompanhar as operações ao longo de toda a noite. Entre os pontos mais afetados esteve a zona da Chaminé, onde a estrada teve de ser cortada devido ao prolongamento das águas sobre a ponte. Situação semelhante ocorreu na estrada 1061, em Santa Justa.

A principal preocupação centrou‑se na Ribeira do Sor, especialmente na zona ribeirinha. No entanto, outras linhas de água registaram níveis invulgares. Em Tramaga, a Ribeira da Barbosa e a Ribeira da Senhora da Laranjeira transbordaram, entrando pela parte final da rua principal e atingindo habitações pelas traseiras. Algumas casas chegaram a registar cerca de 50 centímetros de água.

Também a Ribeira de Tramaga apresentou um caudal “nos limites”, enquanto em Domingão e Foros de Domingo se verificaram níveis de água “nunca vistos”.

Além dos transbordos, registaram‑se muros caídos e situações de erosão em linhas de água, incluindo uma zona identificada como Padrãozinho, onde o caudal atingiu valores que Justo Carvalho afirma nunca ter observado em 64 anos.

Em Montargil, foram identificadas ocorrências na zona do Vale do Vilão. No total, o município recebeu 83 pedidos diretos, além das situações reportadas à Proteção Civil e à GNR.

Segundo Justo Carvalho, estiveram no terreno 73 operacionais desde as 08h00, incluindo serviços municipalizados, maquinistas e equipas de apoio, além dos bombeiros. O municipio apela à compreensão da população, sublinhando que “tudo se vai resolver”, mas que o efetivo disponível obriga a priorizar as situações mais urgentes.

A barragem das Hortas Velhas foi outro ponto de atenção. A Proteção Civil já tinha identificado a necessidade de correções na zona de descarga, com os proprietários notificados previamente. A estrada junto à barragem foi cortada por precaução e um estaleiro de lenha e animais estão na linha de água.

Apesar das preocupações, as observações realizadas não indicaram agravamento significativo. O vereador considera que, salvo novo episódio de precipitação extrema, “não está em risco de rutura”, acrescentando que, mesmo num cenário de falha, a libertação de água seria progressiva.

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