Guardiões das flores: ciência cidadã ao serviço dos polinizadores

Na sequência da parceria estabelecida entre o jornal aponte e a Quercus – Associação Nacional de Defesa da Natureza, semanalmente é tornado público um vídeo dedicado às questões ambientais. Nesta edição do aponte AMBIENTAL destacamos o papel de cada cidadão como guardião das flores. Através de projetos como o PolinizAÇÃO ou o FITCount, qualquer pessoa pode contribuir para a ciência, registando polinizadores e ajudando a proteger a biodiversidade essencial à vida no planeta.

Olá e bem-vindos a mais um Aponte Ambiental.

Hoje vamos falar de um papel que todos podemos assumir: o de guardiões das flores. Não enquanto heróis distantes, mas como pessoas comuns que participam da ciência, ajudam os polinizadores e constróem conhecimento. Este é o cerne da crónica “Guardiões das Flores”, da Wilder, em parceria com o projeto PolinizAÇÃO.

A essência desta ideia é simples: a ciência cidadã permite que qualquer pessoa — não apenas cientistas — contribua para estudos sobre natureza. Com uma fotografia de uma mosca pousada numa flor, a participação numa contagem de borboletas ou até numa sessão com armadilhas luminosas, podemos ajudar a recolher dados sobre polinizadores. É transformar curiosidade em ação científica.

Na história natural, a colaboração entre cientistas profissionais e amadores é antiga. Desde o século XVII que naturalistas não profissionais recolhiam espécimes, trocavam informações e contribuíam para a construção do conhecimento. Darwin, por exemplo, contou com uma vasta rede de correspondentes para reunir evidências sobre espécies e evolução.

Hoje, com plataformas digitais como o iNaturalist e o domínio local que é o BioDiversity4All, o papel da ciência cidadã tornou-se ainda mais acessível. Em Portugal temos projetos como PolinizAÇÃO (interações planta-polinizador), que convida pessoas a registar fotografias que mostram polinizadores em ação. Essas imagens ajudam os cientistas a identificar quais os insetos que participam da polinização e quais as plantas que atraem esses insetos — informação valiosa para desenhar jardins e áreas verdes amigas dos polinizadores.

Outra ferramenta interessante é a aplicação FITCount (“Flower-Insect Timed Count”). O método é simples: escolhe-se uma planta em floração e durante dez minutos conta-se quantos insetos visitam a flor. Não é preciso conhecer todas as espécies — basta identificar grandes grupos como abelhas, borboletas ou moscas. Ou seja, qualquer pessoa pode participar, embora com cuidado para seguir a metodologia correta.

Além disso, em Portugal já existem os Censos de Borboletas e a Rede de Estações de Borboletas Noturnas, que reúnem voluntários para monitorizar a diversidade e abundância desses insetos ao longo de percursos fixos ou através de armadilhas luminosas. Esses dados permitiram observar tendências: algumas espécies diminuem, outras ganham presença, e essas variações são indicadores sensíveis da saúde dos ecossistemas.

Porque tudo isto importa? Os polinizadores — abelhas, borboletas, moscas, besouros — são fundamentais para a reprodução das plantas. Cerca de três quartos das culturas agrícolas dependem da polinização. Se não tivermos insetos saudáveis, perdemos flores, sementes, alimentos e biodiversidade.

Portanto, ao participar nestes projetos, cada pessoa ajuda a construir ciência e proteger a natureza. Não é preciso usar bata branca ou trabalhar num laboratório — basta curiosidade, respeito e vontade de contribuir.

Conselho ambiental:
Se tiver oportunidade, registe uma fotografia de um inseto numa flor ou participe numa contagem de borboletas pela tua localidade. Use plataformas como PolinizAÇÃO ou FITCount, compartilhe os seus registos e incentive amigos e familiares a fazer o mesmo. Quando cada pessoa se torna parte da ciência, juntos fortalecemos o conhecimento e protegemos os polinizadores — essenciais para a vida no planeta.

Até à próxima edição do Aponte Ambiental.

E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!

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