Quercus | Em 30 anos perderam-se metade das borboletas dos prados na Europa

Em apenas três décadas, a Europa perdeu metade das borboletas dos prados, um sinal claro de que os ecossistemas rurais estão em desequilíbrio. O jornal aponte, em parceria com a Quercus, dá destaque a este alerta ambiental e às soluções urgentes apontadas por especialistas: restaurar habitats, criar corredores ecológicos e apoiar práticas agrícolas sustentáveis. Acompanhe o programa e descubra como pode contribuir para proteger os polinizadores e o equilíbrio da natureza.

Hoje partilho convosco uma descoberta preocupante: nos últimos 30 anos, as populações de borboletas dos prados na Europa diminuíram cerca de 50 por cento. Esta informação vem do Índice das Borboletas dos Prados, atualizado em julho de 2025 e divulgado por Eva Monteiro à Wilder, com base em dados recolhidos entre 1991 e 2023.

Este índice resulta de mais de três décadas de monitorização em 22 países, incluindo Portugal. Foi possível observar um declínio acentuado em mais da metade das 17 espécies analisadas, algumas delas emblemáticas do nosso património natural.

Por que razão este declínio é tão significativo? As borboletas dos prados são verdadeiros indicadores da saúde dos ecossistemas rurais. Se elas estão em perigo, é porque os prados — os habitats que as sustentam — estão a degradar-se. E esse problema tem três causas principais: intensificação agrícola, abandono dos usos tradicionais do solo e uso massivo de agroquímicos.

Apesar da queda dramática, há quem resista. Espécies mais generalistas, como a borboleta azul-comum, têm mostrado alguma estabilidade ou até pequenos crescimentos. Também em Portugal os censos começaram apenas em 2019, pelo que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas. Mas já sabemos que algumas espécies são muito raras e que a principal ameaça continua a ser a perda de habitat — prados, lameiros e até áreas abertas de montado, muitas vezes ocupados por mato denso, agricultura intensiva ou grandes infraestruturas como parques solares.

Então, o que podemos fazer para inverter esta tendência? Os cientistas apontam três medidas urgentes: restaurar os habitats degradados, criar corredores ecológicos que

liguem áreas fragmentadas e apoiar práticas agrícolas mais sustentáveis, que permitam a coexistência entre agricultura e biodiversidade.

Num contexto mais vasto, esta situação confirma um padrão: a abundância de borboletas na Europa caiu entre 30 e 50 por cento em poucas décadas. É um dos sinais mais visíveis de que os ecossistemas agrícolas e seminaturais estão em profundo desequilíbrio.

Conselho ambiental Se quiser ajudar, participe nos censos locais de borboletas, use aplicações de ciência cidadã ou apoie associações que estudam e protegem insetos polinizadores. E sempre que possível, valorize os prados floridos, reduza o uso de pesticidas e apoie práticas agrícolas amigas da biodiversidade. Assim, estamos a proteger as borboletas e todo o equilíbrio da natureza.

Até à próxima edição do aponte Ambiental.

E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!

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