Zonas Húmidas: os ecossistemas que seguram o futuro

No mais recente episódio de aponte AMBIENTAL, assinalamos o Dia das Zonas Húmidas, celebrado a 2 de fevereiro, e refletimos sobre a importância vital destes ecossistemas que regulam cheias, filtram água, armazenam carbono e sustentam biodiversidade única. Num momento em que enfrentam pressões crescentes — da urbanização às alterações climáticas — este vídeo reforça porque proteger zonas húmidas é proteger o equilíbrio ecológico e o bem-estar das comunidades.

Olá e bem-vindos a mais um Aponte Ambiental.
Hoje falamos de um dia que merece toda a nossa atenção: o Dia das Zonas Húmidas. Celebrado internacionalmente a 2 de fevereiro, este dia lembra-nos a importância de proteger, valorizar e compreender os ecossistemas que chamamos zonas húmidas — espaços tão simples à primeira vista, mas essenciais para a vida no planeta.

As zonas húmidas incluem pântanos, charcos, sapais, estuários, lagoas costeiras, várzeas fluviais e muitos outros tipos de território onde a terra e a água se encontram. Embora muitas vezes passem despercebidas, estes ambientes têm funções ecológicas extraordinárias.

O que são zonas húmidas e porquê são importantes?

Desde sempre, as zonas húmidas foram descritas como as espinhas dorsais da natureza. Elas:

  • Regulam as cheias, absorvendo e retendo água que, de outra forma, inundaria campos, estradas e aldeias.
  • Filtram poluentes, melhorando a qualidade da água que chega aos rios, ribeiras e zonas costeiras.
  • Armazenam carbono, ajudando a mitigar as alterações climáticas.
  • Sustentam biodiversidade riquíssima, desde aves migratórias a anfíbios, peixes, insetos e plantas especializadas.

A importância destas áreas foi reconhecida internacionalmente em 1971, quando foi criada a Convenção de Ramsar, nome da cidade iraniana onde o acordo foi assinado. A convenção de Ramsar é um acordo global dedicado à preservação das zonas húmidas e à utilização racional dos seus recursos. Desde então, o dia 2 de fevereiro é dedicado à sua celebração e reflexão — não apenas enquanto habitats naturais, mas como pilares do equilíbrio ecológico e do bem-estar humano.

Zonas húmidas em Portugal

Em Portugal temos vários sítios reconhecidos internacionalmente como zonas húmidas de importância especial. Muitos deles estão integrados na Rede Natura 2000 ou foram designados como zonas protegidas no âmbito da Convenção de Ramsar. Entre estes estão sapais costeiros, estuários de rios e áreas húmidas interiores que abrigam espécies migratórias e comunidades naturais únicas.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) lembra que estas áreas são essenciais não só para a vida selvagem, mas também para nós: ajudam a manter recursos hídricos, fornecem oportunidades de estudo, educação e contacto com a natureza, e fazem parte da nossa herança natural.

A crise das zonas húmidas

No entanto, as zonas húmidas estão sob pressão:

  • Alteração do uso do solo, com drenagem para agricultura e urbanização.
  • Poluição difusa, que reduz a qualidade da água.
  • Fragmentação e perda de habitat, que diminui a sua capacidade de sustentar espécies.
  • Alterações climáticas, que alteram regimes de chuva e secas, fragilizando ecossistemas que dependem de ciclos de água estáveis.

Perder uma zona húmida é perder um mecanismo natural de proteção contra cheias, uma crónica de biodiversidade e uma parte viva do território que se transmite de geração em geração.

Por onde começamos a cuidar destas áreas?

Proteger as zonas húmidas começa por reconhecer o seu valor. Não as vemos apenas como terra molhada ou áreas “sem uso”. São espaços de vida, movimento e interação — entre água, solo, plantas, insetos, aves e comunidades humanas. As zonas húmidas ensinam-nos que a natureza funciona como um todo: a água que lá se infiltra faz falta aqui, a biodiversidade que cresce ali contribui para a produtividade da agricultura acolá.

No Dia das Zonas Húmidas, lembramos que estes ecossistemas são aliados poderosos na adaptação às alterações climáticas. A sua conservação beneficia o clima, protege a biodiversidade, reforça a qualidade da água e torna as paisagens mais resilientes.

Conselho ambiental

Observe as zonas húmidas perto de si — mesmo pequenas áreas com água, limo e vegetação são parte desta grande rede natural. Valorize estes espaços, respeite-os e incentive a sua proteção. Informação, respeito e cuidado transformam paisagens comuns em territórios de futuro. Quando aprendemos a compreender o valor da água e dos espaços húmidos, estamos a reforçar a nossa ligação com o ambiente e a proteger o planeta para as próximas gerações.

Este foi mais um Aponte Ambiental.
Até à próxima — com mais histórias que nos ajudam a perceber e cuidar do mundo em que vivemos.

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