Numa entrevista ao jornal aponte, o diretor Manuel Andrade descreve a realidade diária de uma estrutura que acompanha cerca de 2000 alunos, explica o impacto das obras em curso, aborda a importância crescente do digital e detalha a oferta formativa ajustada às necessidades do território.
O diretor do Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor, Manuel Andrade, recebeu o jornal aponte para uma conversa aprofundada sobre a maior instituição educativa do concelho. Entre a gestão de 12 estabelecimentos, a coordenação de cerca de 250 docentes e técnicos, a presença diária de mais de 140 assistentes operacionais e o acompanhamento de aproximadamente 2000 alunos, o responsável descreve um universo complexo, exigente e em permanente transformação. A entrevista percorre temas como as obras em curso, a importância do digital, a oferta formativa, a articulação com o município e os desafios de preparar alunos para o ensino superior e para o mercado de trabalho.
Manuel Andrade começa por sublinhar a dimensão do Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor, que acompanha diariamente cerca de 2000 alunos distribuídos por 12 estabelecimentos. “As escolas são hoje espaços onde se aprende, mas também onde se vive grande parte do dia”, refere, lembrando que muitos alunos almoçam e até tomam o pequeno-almoço nas escolas.
O diretor destaca que cada aluno tem ritmos de aprendizagem diferentes e que a escola tem de estar preparada para responder a essa diversidade. A meio de maio, o Agrupamento encontra-se na fase das avaliações externas, que incluem provas de aferição, provas finais de ciclo e exames nacionais do ensino secundário.
O Agrupamento integra cerca de 250 professores e técnicos especializados, incluindo psicólogos, animadores socioculturais e educadores sociais. A este universo juntam-se cerca de 150 assistentes operacionais e técnicos, responsáveis pelo funcionamento diário dos espaços escolares.
Manuel Andrade destaca o impacto positivo da transferência de competências para o município, sublinhando que a articulação tem sido eficaz, embora existam sempre aspetos a melhorar, sobretudo na gestão de recursos humanos e manutenção.
Duas escolas estão atualmente em obras: a Escola Secundária João Pedro de Andrade e a Escola Básica de Montargil. Apesar das limitações, o diretor garante que “a escola, enquanto entidade educativa, nunca deixa de existir”. Serviços essenciais como refeitório, papelaria, bufete e serviços administrativos continuam a funcionar.
Em Montargil, mesmo com o edifício central encerrado, a comunidade realizou a tradicional Feira Verde, exemplo da dinâmica que se mantém apesar das intervenções.
O Agrupamento oferece cursos científico-humanísticos e uma ampla variedade de cursos profissionais, desde multimédia e informática a energias renováveis, ação educativa, saúde e cabeleireiro. Para o próximo ano letivo, será proposta a abertura de um curso de desporto e de novos cursos na área das energias renováveis e da mecânica.
Manuel Andrade reforça que os cursos profissionais não servem apenas para entrada imediata no mercado de trabalho: “Devem também preparar os alunos para o ensino superior”, recordando que muitos ingressam em áreas como engenharias, desporto, enfermagem ou ciências sociais.
No ensino básico, o Agrupamento mantém cursos de Educação e Formação para alunos com maiores dificuldades de aprendizagem. Atualmente existem cursos nas áreas de sapadores, fotografia e multimédia, costura e distribuição, alguns dos quais terminam este ano letivo.
O diretor destaca a importância da dimensão internacional, com participação em projetos Erasmus e deslocações a países como Cabo Verde. O Agrupamento recebe também alunos de outras regiões, nomeadamente através do Centro Nacional de Treino de Basquetebol.
A colaboração com o IEFP tem permitido desenvolver cursos de aprendizagem na área da mecânica e manutenção aeronáutica, combinando formação científica no Agrupamento com formação técnica nas oficinas do IEFP.
Grande parte das provas externas já decorre em formato digital, o que exige infraestruturas robustas. Manuel Andrade acompanha o programa Escola Digital desde a sua origem e sublinha a importância de garantir condições tecnológicas adequadas para alunos e professores.