No aponte AMBIENTAL desta semana, José Janela destaca a identificação de seis novas espécies de aranhas na Herdade da Ribeira Abaixo, em Grândola, por uma equipa do CE3C. A investigação, iniciada no terreno em 2024 e atualmente em fase laboratorial, revela características únicas destas espécies e reforça a importância da conservação da natureza e da biodiversidade portuguesa.
A Serra de Grândola voltou a surpreender a comunidade científica: uma equipa do CE3C identificou seis novas espécies de aranhas, algumas com apenas dois ou três milímetros, mas com características únicas que as distinguem de todas as conhecidas. Uma descoberta que reforça a importância da investigação e da conservação da natureza em Portugal.
No Aponte Ambiental de hoje viajamos até à Serra de Grândola, no Litoral Alentejano, para falar de uma descoberta surpreendente: seis novas espécies de aranhas, desconhecidas da ciência, foram encontradas em Portugal por uma equipa liderada pelo investigador Pedro Cardoso. Uma descoberta que mostra como ainda há muito por conhecer sobre a biodiversidade do nosso país — até nos lugares mais próximos.
Uma equipa de investigadores do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, o CE3C, descobriu seis novas espécies de aranhas na Herdade da Ribeira Abaixo, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em Grândola, no Litoral Alentejano. O trabalho começou no terreno, em 2024, e agora continua em laboratório, com análises ao microscópio e comparações científicas muito detalhadas.
Estas aranhas são muito pequenas — algumas têm apenas dois ou três milímetros — mas apresentam características únicas, como diferenças nos olhos, nas pernas ou nas estruturas que produzem teias.
Duas destas novas espécies pertencem ao género Dysdera, conhecido pelas chamadas aranhas-de-tenaz, que se alimentam de bichos-de-conta. Outras pertencem ao género Harpactea, mais discretas e escuras. Há ainda uma espécie do género Pelecopsis e outra do género Scytodes, um grupo fascinante de aranhas capaz de cuspir uma espécie de teia com veneno para capturar as presas — uma capacidade que inspirou até algumas histórias de ficção como o Homem-Aranha.
Os investigadores acreditam que a Serra de Grândola pode ter funcionado, ao longo do tempo, como uma espécie de “ilha ecológica”, permitindo que algumas espécies evoluíssem de forma isolada e diferente do resto do território.
Esta descoberta mostra também a importância da investigação científica e da conservação da natureza. Mesmo em países como Portugal, ainda existem espécies desconhecidas por descobrir — e muitas podem desaparecer antes de serem estudadas, devido à destruição de habitats ou às alterações climáticas.
A biodiversidade não é feita apenas de grandes animais ou paisagens exóticas. Também os pequenos organismos, como aranhas e insetos, desempenham papéis essenciais nos ecossistemas, ajudando a controlar pragas e a manter o equilíbrio da natureza.
Conselho ambiental:
Valorize a biodiversidade local — mesmo os pequenos animais como as aranhas têm um papel importante nos ecossistemas. Evite o uso excessivo de pesticidas e respeite os habitats naturais. Quanto mais conhecermos a natureza, melhor a conseguimos proteger.
E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!