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Rogério Alves analisa IC13, IC9, Campo de Tiro e habitação em Ponte de Sor

O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor detalha o ponto de situação das acessibilidades, os impactos potenciais do Campo de Tiro, a importância estratégica do aeródromo municipal e os desafios da habitação num território em crescimento acelerado.

O jornal aponte entrevistou Rogério Alves, Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor, para uma análise aprofundada aos temas que estão a moldar o futuro do concelho: IC13, IC9, Nacional 2, Campo de Tiro, espaço aéreo, habitação e preparação do território para 2030. Uma conversa institucional, rigorosa e esclarecedora sobre desafios que exigem visão estratégica e coordenação regional.

Rogério Alves, Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor, afirma que o concelho continua a defender de forma consistente a necessidade de melhores acessibilidades, sublinhando que tanto o IC13 como o IC9 são infraestruturas determinantes para o desenvolvimento regional. Recorda que, desde março do ano passado, existe uma resolução do Conselho de Ministros que mandatou as Infraestruturas de Portugal a avançarem com estudos para o lançamento dos concursos relativos aos novos traçados. No caso do IC13, o estudo foi apresentado a 19 de março, na sede das Infraestruturas de Portugal, abrangendo cerca de 100 quilómetros entre Alter do Chão e a zona sul de Lisboa, com um investimento de 2,3 milhões de euros e um prazo de execução de 450 dias. O autarca reconhece que este é um passo importante, mas lembra que “o alcatrão não se cheira ainda”, admitindo que a obra não acontecerá num futuro próximo, apesar da expectativa de que o processo avance de forma mais célere. Sublinha, contudo, que sem estudos e sem projetos não há obras no terreno, pelo que este primeiro avanço deve ser valorizado, mesmo exigindo vigilância permanente para que os prazos não se arrastem.

Sobre o IC9, refere que o estudo prévio se encontra mais maduro, com um valor de 1,3 milhões de euros e uma duração prevista de 540 dias, abrangendo 35 quilómetros entre Abrantes e Ponte de Sor. Considera que esta ligação poderá avançar mais rapidamente, embora reconheça que tal depende exclusivamente das decisões do Governo. Para o Presidente, ambas as vias são essenciais para garantir competitividade, atrair investimento e permitir que o território continue a crescer de forma sustentada. Recorda que a atividade económica do concelho depende fortemente da rodovia, desde a indústria aeronáutica à cortiça, passando pela ferrovia e pela exportação de drones, sendo que diariamente dezenas de camiões utilizam as atuais vias, muitas vezes insuficientes para o volume de tráfego existente.

A reabilitação da Nacional 2 é outro dos temas que preocupa o município. Rogério Alves lembra que esta estrada apresenta níveis elevados de sinistralidade e que o aumento do tráfego turístico tem agravado a necessidade de intervenção. Refere que foi anunciado um concurso de 25 milhões de euros, mas que “as máquinas tardam em chegar ao terreno”, apesar de o próprio ministro das Infraestruturas ter reconhecido a importância estratégica de Ponte de Sor no contexto do investimento e do emprego no interior do país. O autarca sublinha que o município tem insistido junto da tutela para que a intervenção avance rapidamente, sobretudo porque a Nacional 2 continuará a ser uma via fundamental até que as novas acessibilidades estejam concluídas.

A entrevista aborda também a possível deslocalização do Campo de Tiro de Alcochete para Alter do Chão, tema que motivou reuniões com o Ministério da Defesa e com a NAV Portugal. Rogério Alves explica que o município ainda não tomou posição pública porque conhece pouco sobre o projeto e os seus impactos reais. Sublinha que a prioridade é perceber de que forma o espaço aéreo poderá ser afetado, tendo em conta a importância estratégica do aeródromo municipal e das zonas de treino associadas. Refere que encontrou, por parte da NAV, uma clara consciência da relevância do aeródromo no panorama nacional, o que transmite alguma tranquilidade quanto à salvaguarda da infraestrutura. Ainda assim, reforça que o município permanecerá vigilante e que só tomará posição quando conhecer em profundidade os dossiês e os impactos concretos.

O Presidente destaca que o crescimento económico do concelho tem sido consistente, mas que esse crescimento traz também desafios, nomeadamente ao nível da mobilidade, da formação e da atração de mão de obra. Recorda que tanto o Agrupamento de Escolas como o IEFP identificaram dificuldades na deslocação de alunos e formandos para Ponte de Sor, o que reforça a necessidade de melhores acessibilidades. Sublinha que o concelho já atrai trabalhadores de municípios vizinhos e até de zonas mais distantes, mas que a melhoria das vias permitiria ampliar significativamente essa capacidade.

A habitação é outro dos eixos centrais da estratégia municipal. Rogério Alves confirma que existem 106 novos fogos em licenciamento e que o município continuará a reabilitar e a colocar casas no mercado sempre que possível. Destaca a importância da Tapada do Telheiro, cujo processo de mais de 30 anos foi finalmente resolvido, permitindo ao município abrir uma nova centralidade e criar condições para o desenvolvimento de novos bairros. Recorda que, tal como aconteceu nos anos 70 e 80 com a instalação da Delphi, o concelho enfrenta novamente um ciclo de crescimento que exige capacidade de adaptação rápida, não apenas na habitação, mas também nas escolas, na cultura, no desporto e na qualidade de vida em geral.

O autarca sublinha que o município está a reabilitar escolas através do PRR, nomeadamente a Escola João Pedro de Andrade e a escola de Montargil, e que continuará a investir em equipamentos culturais e desportivos para acompanhar o aumento da população. Refere que o objetivo é preparar o território de forma holística para 2030, garantindo que o crescimento económico é acompanhado por respostas públicas adequadas. Afirma que o município não pretende substituir o mercado privado na habitação, mas que intervirá sempre que necessário para garantir oferta suficiente e equilibrada. Recorda que, recentemente, foram vendidos oito dos 14 lotes colocados à venda junto à GNR, o que demonstra confiança dos investidores e dinamismo do mercado local.

Rogério Alves conclui que Ponte de Sor tem condições únicas para continuar a afirmar-se como um farol de desenvolvimento no interior do país, mas que isso exige acessibilidades modernas, capacidade de planeamento e uma atuação coordenada entre autarquias, Governo e entidades regionais. Reforça que o município continuará a defender o território com firmeza, convicção e sentido estratégico, garantindo que as decisões nacionais não comprometam o trabalho que tem sido feito e o potencial que o concelho já demonstrou.

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