A Europa vive um momento decisivo na recuperação dos seus ecossistemas fluviais. Em 2025, mais de 600 barreiras foram removidas, permitindo que milhares de quilómetros de rios voltassem a correr livremente. O aponte AMBIENTAL destaca como esta tendência está a transformar habitats, recuperar espécies migradoras e reforçar a resiliência climática, num esforço que também coloca Portugal perante desafios e oportunidades.
A remoção de barragens e obstáculos fluviais está a transformar os rios europeus. Em 2025, mais de 600 barreiras foram eliminadas, permitindo recuperar ecossistemas, devolver mobilidade a peixes migradores e reforçar a resiliência climática. O aponte AMBIENTAL analisa esta tendência e o que ela significa para Portugal.
Os rios europeus estão a mudar.
Em 2025, a Europa bateu um novo recorde na remoção de barragens e outros obstáculos fluviais. Segundo o relatório da iniciativa Dam Removal Europe, de que o GEOTA faz parte, mais de 600 barreiras foram removidas num só ano, permitindo que milhares de quilómetros de rios voltassem a correr livremente.
Durante décadas, muitos rios europeus foram interrompidos por pequenas barragens, açudes, comportas e canais construídos para moinhos, rega ou produção de energia. Mas muitos desses obstáculos deixaram de ter utilidade e continuam apenas a bloquear os cursos de água, afetando peixes migradores, sedimentos e ecossistemas inteiros.
Hoje, a tendência está a inverter-se.
Países como Suécia, Finlândia e Espanha lideram a remoção destas infraestruturas antigas. Em 2025, até países que nunca tinham removido barreiras fluviais, como a Islândia e a Macedónia do Norte, começaram esse processo.
Mas porque é que remover barragens pode ajudar a natureza?
Quando um rio corre livremente, os peixes conseguem voltar a subir o rio para se reproduzirem. Os sedimentos circulam naturalmente, as margens recuperam biodiversidade e os ecossistemas tornam-se mais resilientes às alterações climáticas.
Segundo os especialistas, a fragmentação dos rios contribuiu para um declínio muito acentuado das populações de peixes migradores de água doce na Europa desde os anos 70.
A maioria das barreiras removidas são pequenas estruturas com menos de dois metros de altura e muitas já estavam abandonadas ou degradadas. Em vários casos, os custos de manutenção eram superiores aos benefícios que ainda traziam.
Há também um objetivo europeu mais amplo: restaurar milhares de quilómetros de rios livres até 2030, no âmbito da legislação europeia de restauro da natureza.
Claro que este debate também levanta questões. Algumas pessoas perguntam se a remoção de barragens pode aumentar riscos de cheias ou reduzir reservas de água. Os investigadores defendem que cada caso deve ser estudado com cuidado e acompanhado a longo prazo. Em certos contextos, algumas barreiras podem ajudar a travar espécies invasoras ou ter funções importantes para abastecimento ou proteção contra cheias.
Por isso, os especialistas sublinham que não se trata de remover todas as barragens indiscriminadamente, mas sim de avaliar quais são obsoletas e causam mais impactos negativos do que benefícios.
Em Portugal, este debate também é relevante.
O país tem milhares de obstáculos nos rios muitos deles pequenos açudes e estruturas antigas que afetam espécies como o sável, a lampreia ou a enguia. A recuperação da conectividade fluvial pode ser uma ferramenta importante para proteger a biodiversidade e melhorar a qualidade ecológica dos rios.
A principal mensagem é simples:
rios saudáveis precisam de espaço para fluir. E restaurar rios pode ser uma das formas mais eficazes de recuperar biodiversidade, aumentar a resiliência climática e devolver vida aos ecossistemas aquáticos.
Conselho ambiental:
Valorize os rios naturais e os corredores ecológicos. Participar em ações de limpeza, denunciar descargas ilegais ou apoiar projetos de recuperação fluvial são formas concretas de ajudar os ecossistemas aquáticos. Um rio livre é muito mais do que água a correr — é biodiversidade, equilíbrio ecológico e futuro.
E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!