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Quinta-feira, Junho 25, 2026
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Jorge Monteiro analisa a época 2025/2026 do Eléctrico na Liga Placard

O treinador do Eléctrico faz o balanço da época 2025/2026 na Liga Placard, analisando o início difícil, a evolução competitiva, a final da Taça da Liga, o play‑off e o impacto crescente da massa adepta em Ponte de Sor.

O jornal aponte recebeu Jorge Monteiro para uma análise rigorosa e detalhada da época 2025/2026 do Eléctrico na Liga Placard. Numa conversa marcada pela clareza e pela visão estratégica, o treinador abordou os desafios iniciais, a evolução competitiva, a final da Taça da Liga, o play‑off, o crescimento dos jovens atletas, o papel da massa adepta, a integração territorial e a importância de definir o futuro do futsal eléctrico.

A época 2025/2026 do Eléctrico na Liga Placard foi, nas palavras de Jorge Monteiro, “um projeto muito desafiante”, marcado por um início difícil e por um conjunto de condicionantes que influenciaram o rendimento nas primeiras jornadas. O treinador reconhece que o plantel foi mal preparado, com entradas tardias, poucas soluções disponíveis e vários jogadores ainda não inscritos, a que se juntou a ausência de atletas em compromissos internacionais. A juventude do grupo obrigou a uma adaptação rápida, mas também abriu espaço para um crescimento progressivo que se tornou visível ao longo da época.

Apesar das dificuldades iniciais, a equipa encontrou identidade competitiva e capacidade de resposta. A vitória no Pavilhão João Rocha foi um dos momentos que demonstrou o potencial do grupo, tal como vários jogos em que o Eléctrico foi superior a adversários diretos, mesmo sem conseguir transformar esse domínio em pontos. Para Jorge Monteiro, esta foi “a época mais desafiante do futsal eléctrico”, num contexto em que a Liga Placard apresentou um nível de competitividade particularmente elevado, com várias equipas a lutar simultaneamente pela manutenção e pelo acesso ao play‑off.

A presença na final da Taça da Liga marcou um ponto de viragem. O treinador considera que o percurso foi inteiramente meritório e que os jogos decididos nos penáltis revelaram a maturidade competitiva da equipa. Este momento aproximou ainda mais os adeptos, que passaram a encher o pavilhão e a empurrar a equipa nos momentos decisivos. O apoio em Gondomar foi, para Jorge Monteiro, “inesquecível”, e contribuiu para o renascimento da massa adepta ao longo da segunda metade da época.

No balanço final, o oitavo lugar alcançado não refletiu o verdadeiro valor da equipa. Um sexto lugar teria permitido um apuramento mais favorável no play‑off, mas a irregularidade inicial condicionou o percurso. Ainda assim, o Eléctrico voltou a marcar presença no play‑off, mantendo a consistência competitiva dos últimos anos e reforçando a ideia de que o clube tem dimensão para ambicionar mais.

A época ficou igualmente marcada pela evolução individual de vários jovens atletas. Henrique realizou a melhor época da carreira, Samuel cresceu de forma consistente e vários jogadores foram chamados às seleções nacionais. O guarda‑redes destacou‑se pela segurança defensiva e pela evolução no jogo de pés, enquanto Tiago se afirmou como um dos jogadores com mais assistências da Liga. Para o treinador, esta juventude afirmou‑se ao mais alto nível e representa uma base sólida para o futuro.

A relação com a massa adepta foi outro elemento determinante. O ambiente no pavilhão transformou‑se ao longo da época, passando de uma presença tímida para um apoio constante e vibrante. A final da Taça da Liga despertou a comunidade, que passou a acompanhar a equipa com maior intensidade. Jorge Monteiro sublinha que este processo foi também resultado de um trabalho de proximidade, com visitas a escolas, instituições, empresas e entidades locais, reforçando a ligação ao território e permitindo que os atletas sentissem Ponte de Sor como casa.

O treinador destaca ainda o papel fundamental da equipa técnica e das pessoas que trabalham na sombra. Desde o scouting à preparação física, passando pela logística diária, há, segundo Jorge Monteiro, “pessoas fundamentais que quase nunca aparecem”, mas que garantem condições essenciais para o rendimento da equipa. A disponibilidade de todos permitiu treinar ao mais alto nível, mesmo em horários exigentes e em contextos de grande pressão competitiva.

A decisão de vir para Ponte de Sor foi ponderada e informada. Jorge Monteiro estudou a região antes de aceitar o convite e afirma que a forma calorosa como foi recebido foi determinante. A relação interpessoal foi mais importante do que qualquer condição material, e a integração na cidade reforçou a sua convicção no projeto. A participação da equipa na primeira meia maratona da cidade foi um gesto simbólico de gratidão para com os adeptos, demonstrando que o futsal eléctrico não está isolado e faz parte da comunidade.

No fecho da entrevista, o treinador defende que o Eléctrico precisa de um projeto desportivo claro para consolidar o futuro. Manter o clube na Liga Placard é essencial, porque descer tornaria muito difícil regressar ao patamar atual. Para Jorge Monteiro, este “ano zero” deve servir para definir prioridades, reforçar o plantel e garantir estabilidade. E resume o espírito da época numa frase que sintetiza a identidade do clube: “A Alma Eléctrico vive da união entre equipa, adeptos e território.”

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