O impacto ambiental da Inteligência Artificial: energia, água e território em risco

A inteligência artificial está a transformar o mundo digital, mas a sua infraestrutura levanta preocupações ambientais crescentes. No aponte AMBIENTAL, José Janela explica como os enormes centros de dados — alguns com áreas superiores a 160 km² — consomem quantidades massivas de energia e milhões de litros de água, pressionando regiões já afetadas pela escassez hídrica. Comunidades rurais nos Estados Unidos contestam a ocupação de solos agrícolas e as alterações na paisagem, enquanto a ONU apela a maior transparência sobre o verdadeiro custo ambiental da IA.

A expansão da inteligência artificial está a exigir a construção de gigantescos centros de dados, alguns maiores do que cidades inteiras. O aponte AMBIENTAL analisa os impactos ambientais desta transformação digital, desde o consumo energético e hídrico até às alterações no território e às emissões de gases com efeito de estufa, num contexto em que a ONU apela a maior transparência e responsabilidade ecológica.

Em todo o mundo a chamada inteligência artificial é cada vez utilizada. Está nos motores de busca na internet, nas redes sociais, nos telemóveis e até em ferramentas que escrevem textos ou criam imagens. Mas por trás desta revolução tecnológica existe uma infraestrutura gigantesca que está a levantar preocupações ambientais em várias partes do mundo.

Nos Estados Unidos, comunidades rurais estão a contestar a instalação de enormes centros de dados, os chamados data centres, necessários para alimentar os sistemas de inteligência artificial.

E quando se diz enorme, é mesmo enorme. No estado do Utah, a população está contra a instalação de um centro de dados que irá ocupar 160 quilómetros quadrados. No programa da BBC Americast compararam com a ilha de Manhattan em Nova Yorque e corresponde ao dobro. Para uma comparação em Portugal, só para se ter uma ideia, a cidade de Lisboa tem 100 km2. Ou seja seria mais de uma vez e meia a área da cidade de Lisnoa.

Estes complexos consomem enormes quantidades de eletricidade, água e território, alterando paisagens e exercendo pressão nos recursos locais.

Um dos principais problemas é o consumo de energia. Os sistemas de IA exigem milhares de servidores a funcionar continuamente, 24 horas por dia. Segundo especialistas, a procura energética associada à inteligência artificial está a crescer muito rapidamente, obrigando à construção de novas infraestruturas elétricas e aumentando a pressão sobre as redes energéticas.

Outro desafio é o consumo de água. Os centros de dados precisam de sistemas de refrigeração para evitar o sobreaquecimento dos equipamentos. Em algumas regiões, estes sistemas utilizam milhões de litros de água por ano, precisamente em zonas onde a escassez hídrica já é uma preocupação crescente. A qualidade da água diminui nas regiões onde se instalam estes complexos.

Há ainda impactos sobre o território. Em várias comunidades rurais norte-americanas, agricultores e habitantes locais manifestam preocupação com a ocupação de solos agrícolas, o aumento do ruído, a construção de linhas de alta tensão e as alterações na paisagem associadas aos novos complexos tecnológicos.

Também as emissões de gases com efeito de estufa continuam a ser uma preocupação. Embora muitas empresas tecnológicas invistam em energias renováveis, a velocidade de crescimento da IA pode fazer aumentar significativamente o consumo global de energia e dificultar os objetivos climáticos.

Perante esta situação, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou recentemente a uma maior transparência do setor, defendendo que as empresas revelem o verdadeiro custo ambiental da inteligência artificial. Para as Nações Unidas, a inovação tecnológica deve caminhar lado a lado com a sustentabilidade ambiental.

A inteligência artificial pode trazer benefícios importantes para a ciência, a saúde, a educação ou até para a proteção da natureza. Mas os especialistas alertam que é necessário avaliar também os seus impactos ambientais, garantindo que a transformação digital não agrava os problemas ecológicos que já enfrentamos.

Conselho ambiental

A tecnologia faz parte do nosso dia a dia, mas também tem pegada ambiental. Utilizar equipamentos durante mais tempo, evitar consumos digitais desnecessários e apoiar políticas de energia renovável são formas de contribuir para uma transição digital mais sustentável. Afinal, a inovação só faz sentido se respeitar os limites do planeta.

E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!

Artigo anteriorPonte de Sor assina protocolo com a ARTMOZ e integra a BIALE_27 – Bienal Internacional do Alentejo
Próximo artigoMatuzas Ponte de Sor: organização e impacto da Concentração Motard 2026