Francisco Xavier, conhecido na capoeira pelo nome de guerra “Lobisomem”, explica a origem afro‑brasileira da capoeira, a musicalidade do berimbau e o trabalho desenvolvido na Associação Clave do Sol.
Francisco Xavier, conhecido na capoeira pelo nome de guerra “Lobisomem”, encontrou em Ponte de Sor o espaço para desenvolver uma arte que une luta, dança, musicalidade, filosofia e inclusão social. Nesta entrevista ao jornal aponte, apresenta o percurso, os desafios e a evolução dos praticantes locais.
Francisco Xavier, conhecido na capoeira pelo nome de guerra “Lobisomem”, atribuído pelos seus alunos na Bahia pela forma como se movimentava na roda, apresentou ao jornal aponte a visão integral desta arte afro‑brasileira. Explicou que a capoeira reúne luta, dança, musicalidade, filosofia, cultura, desporto e inclusão social, formando cidadãos através da prática contínua e da disciplina. Recordou que a capoeira tem origem nos povos africanos escravizados, desenvolvendo‑se no Brasil em modalidades como a Capoeira Angola, considerada primitiva e tradicional, e a Capoeira Regional, fundada por Mestre Bimba na Bahia. Referiu ainda a capoeira contemporânea, marcada por movimentos acrobáticos e maior visibilidade internacional, estando presente em cerca de 170 países.
Francisco chegou a Ponte de Sor em 2018, após ter observado um seminário de artes marciais na Escola Clave do Sol, local onde viria a ser convidado para permanecer como instrutor. Regressou ao Brasil nesse ano e voltou definitivamente a Portugal em 2019, iniciando um trabalho contínuo que já soma quase oito anos. Sublinhou que a escola acolheu o projeto com grande dedicação, permitindo desenvolver aulas regulares e formar praticantes locais. Indicou que o maior desafio inicial foi a ausência de conhecimento sobre capoeira na região, exigindo atenção, paciência e trabalho progressivo. Hoje, os alunos demonstram evolução, alguns já com graduações como corda azul, amarela e verde, correspondendo ao segundo estágio.
O instrutor tem realizado apresentações em escolas do município, festas da cidade e outras localidades, incluindo Vale do Açor Bicas e eventos culturais como “A Sombra da Maga”. Destacou que a capoeira exige que o praticante seja músico e atleta, dominando instrumentos como atabaque, pandeiro e berimbau, além de técnicas de canto como ladainha, louvação, quadras e corridos. Defendeu que o capoeirista deve cuidar da saúde física e mental, mantendo equilíbrio entre corpo e espírito.
As aulas decorrem na Associação Clave do Sol, às quartas e sextas‑feiras, das 18h30 às 19h30, sendo necessária inscrição e termo de aula experimental, bem como a condição de sócio para efeitos de seguro. Francisco explicou que a capoeira é acessível a crianças e adultos, entre os 7 e os 90 anos, com atividades físicas, jogos e musicalidade adaptados. Referiu que o som do berimbau tem impacto imediato, abrindo “um portal” que desperta curiosidade e aproxima as pessoas da cultura da capoeira. Concluiu a entrevista com uma música de sua autoria, apresentada pela primeira vez, reforçando a ligação entre história, identidade e expressão artística.