Em entrevista ao jornal aponte, Miguel Santana, presidente do Radical Air Safaris, explica como o clube está a legalizar aeronaves, a atrair alunos internacionais e a preparar novos projetos para tornar o voo acessível à população.
Miguel Santana, presidente do Radical Air Safaris e instrutor de voo radicado em Ponte de Sor, detalha ao jornal aponte o trabalho que tem vindo a desenvolver na associação, os projetos em curso e a ambição de tornar o voo acessível à comunidade. Com aeronaves em processo de legalização, dezenas de alunos internacionais e iniciativas dirigidas à população local, o clube prepara uma nova fase de crescimento.
Miguel Santana, presidente do Radical Air Safaris e instrutor de voo radicado em Ponte de Sor, descreve ao jornal aponte o percurso recente da associação, os desafios enfrentados e a ambição de tornar o voo acessível à comunidade. Chegado inicialmente à cidade na condição de instrutor, acabou por criar raízes e assumir um papel ativo na revitalização de uma associação que, durante anos, teve atividade reduzida. A aquisição de três ultraleves, incluindo uma asa-delta, marcou o início de uma nova fase, ainda condicionada pela complexidade dos processos de legalização aeronáutica em Portugal. A asa-delta foi já apresentada no Zero Summit, reforçando a presença do clube na vida local.
O responsável sublinha que voar é mais acessível do que a maioria das pessoas imagina. O Radical Air Safaris chegou a disponibilizar uma campanha que permitia, por 40 euros, tornar-se sócio e realizar um voo de experiência de cerca de 20 a 25 minutos. A formação em ultraleves é igualmente mais económica do que outras vias de entrada na aviação: enquanto um curso de piloto privado pode atingir 15 mil euros e a formação comercial ultrapassar os 80 a 100 mil euros, os cursos de ultraleves rondam os 5 mil euros, podendo mesmo ser disponibilizados por cerca de 3 mil euros através da associação.
A cidade tem-se afirmado como destino para alunos internacionais que procuram realizar horas de voo. Mais de 20 estudantes provenientes de países como Dubai ou Malta já passaram por Ponte de Sor, atraídos pelas condições operacionais, pelas taxas de aterragem reduzidas, pela pista de 1.800 metros equipada com ILR e pela tranquilidade da região. Miguel Santana refere mesmo que foi apelidado de “embaixador” da cidade numa reunião no aeródromo, dada a frequência com que recomenda Ponte de Sor a alunos estrangeiros.
Apesar das vantagens, o instrutor identifica um obstáculo relevante: o preço do combustível no aeródromo, atualmente na ordem dos 4,60 euros por litro, muito acima dos valores praticados em Évora ou Viseu, que rondam os 2,60 a 2,70 euros. Esta diferença, afirma, limita a competitividade e afasta pilotos que, de outra forma, poderiam escolher Ponte de Sor para realizar horas de voo.
O Radical Air Safaris pretende também aproximar a aviação das escolas do concelho. Miguel Santana propõe a criação de um concurso de mérito escolar que premie alunos com voos de 20 minutos, incentivando o contacto com o mundo aeronáutico e, eventualmente, despertando vocações futuras. A associação dispõe ainda de um simulador de asa-delta montado sobre um veículo, utilizado no Portugal Summit, que permite experiências de voo totalmente seguras a baixa altitude.
Com mais de 30 sócios pagantes, o clube está em crescimento e mantém a sede no NO – Centros Matusa. Qualquer pessoa pode aderir, independentemente de possuir ou não brevet. O presidente deixa ainda um apelo para que, no futuro, seja possível concretizar o sonho de um hangar próprio, consolidando a atividade da associação e permitindo novos projetos.