Quercus | Investir em Resiliência para Prevenir Desastres Naturais

“Investir hoje na prevenção de desastres naturais poupa vidas, recursos e garante um futuro sustentável.”

Olá e bem-vindos a mais um aponte Ambiental, no Jornal aponte.

Hoje 13 de outubro, assinala-se o Dia Internacional para a Redução de Catástrofes, refletimos sobre uma verdade difícil, mas essencial: os desastres naturais estão a tornar-se mais frequentes, severos e custosos, e a proteção do ambiente é um caminho decisivo para reduzir este risco.

Segundo o relatório global do UNDRR de 2025, os custos diretos de catástrofes têm crescido significativamente, atingindo em média 200 mil milhões de dólares por ano entre 2001 e 2020. Mas quando contabilizamos os impactos indiretos e sobre os ecossistemas, o valor real ultrapassa os 2,3 biliões de dólares por ano. É um peso económico colossal que ameaça a estabilidade financeira global, especialmente em países em desenvolvimento, que sofrem mais apesar de gerarem menos impacto direto.

O relatório, intitulado Resiliência compensa – Investir para o nosso futuro, deixa uma mensagem inequívoca: investir hoje na prevenção na redução do risco de desastres — poupa vidas, recursos e garante um futuro sustentável. Apesar disso, a maioria dos governos dedica menos de 1% do orçamento a estas ações, quando seria necessário entre 10 e 25% para responder adequadamente às ameaças.

O risco de desastres aumenta com eventos extremos como tempestades, inundações, secas, ondas de calor e incêndios florestais impulsionados pelas alterações climáticas e por decisões de planeamento que ignoram a vulnerabilidade dos territórios. Quando esse risco não é incorporado nas políticas públicas, as sociedades ficam expostas e pagam o preço em vidas e património destruído.

Estamos, por isso, diante de uma escolha coletiva: continuar a reagir após o desastre, ou antecipar-me, investir em resiliência e reduzir a vulnerabilidade das nossas comunidades?

O relatório mostra que a resiliência traz retorno. Cada dólar investido em redução de risco gera múltiplos de retorno, ao evitar danos, ao preservar infraestruturas e ao reforçar a confiança nos governos. Exemplos de ação eficaz já existem. Sistemas de alerta precoce, planos urbanos resilientes, gestão integrada de bacias hidrográficas e restauro de ecossistemas naturais sobretudo zonas húmidas são instrumentos que diminuem os impactos de tempestades ou de cheias, ao mesmo tempo que preservam a biodiversidade.

Mas para isso é preciso uma mudança de paradigma: tornar a proteção ambiental um pilar das políticas de desenvolvimento e da ação climática. Em vez de reconstruir o que foi destruído, podemos investir em paisagens que protegem, em infraestruturas verdes, planeamento urbano inteligente e comunidades conscientes.

Em Portugal, sabemos bem do que falamos. As inundações recentes, os incêndios cada vez mais intensos, as secas prolongadas tudo isto exige que preparemos o território. A Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas, o Plano de Recuperação e Resiliência, e o Fundo Ambiental são passos importantes, mas temos de acelerar, garantir fundos destinados à prevenção e envolver todas as vertentes, das infraestruturas aos ecossistemas.

Conselho ambiental: apoie políticas e projetos que fortaleçam a resiliência local. Valorize ações que preservem terrenos naturais, que restauram a natureza e protejam as comunidades. Porque antecipar o desastre é também preservar vidas e garantir um futuro mais seguro para todos.

Até à próxima edição do aponte Ambiental.

E lembre-se de ajudar a preservar o ambiente!

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