Edgar Rodrigues destaca o impacto dos adeptos na época 2025/2026.

O treinador e jogador do GDRC Tramaga analisa a época 2025/2026, reconhece erros, destaca a evolução competitiva do Inatel, reforça o impacto social do projeto e sublinha a importância do novo campo sintético para o futuro da Tramaga.

O jornal aponte entrevistou Edgar Rodrigues, treinador e jogador do GDRC Tramaga, para analisar de forma rigorosa e objetiva o balanço da época 2025/2026. A conversa percorre resultados, dificuldades, evolução competitiva do Inatel, impacto social do projeto, força dos adeptos e o avanço decisivo do novo campo sintético, que promete transformar o futuro da Tramaga.



Edgar Rodrigues, treinador e jogador do GDRC Tramaga, faz um balanço claro e direto da época 2025/2026, reconhecendo que o resultado global ficou aquém das expectativas. A equipa iniciou a época com ambição em todas as frentes competitivas, mas não conseguiu conquistar títulos, ao contrário do que tinha acontecido em anos anteriores, quando chegou à final da Taça, venceu a Taça e disputou a Supertaça. O treinador admite que houve erros de preparação e pormenores que poderiam ter feito a diferença, assumindo que a equipa não preparou a época da melhor forma e que esse fator condicionou o desempenho.

A análise inclui também a Supertaça, onde Edgar Rodrigues considera que a justiça desportiva não foi cumprida. A equipa chegou às grandes penalidades num jogo que, no seu entendimento, deveria ter sido resolvido nos 80 minutos. O treinador reconhece a evolução competitiva do Inatel, com mais equipas, mais qualidade e jogadores com experiência em campeonatos nacionais, mas identifica fragilidades na arbitragem, que não tem acompanhado esse crescimento. Ao longo dos quatro anos de projeto, Edgar Rodrigues afirma ter assistido a situações que não esperava ver, reforçando que a arbitragem precisa de melhorar para acompanhar a evolução das equipas e da organização.

A falta de recursos é outro ponto central da entrevista. O GDRC Tramaga não remunera jogadores, o que dificulta contratações e renovações, sobretudo quando outros clubes apresentam propostas financeiras. Edgar Rodrigues explica que o grupo tenta compensar essa limitação com união, balneário forte e convívio, elementos que considera essenciais para manter a identidade dos Rapazes do Moinho. A caixinha de multas e apoios de patrocinadores permitiu, no final da época, reunir cerca de 4.500 euros para um convívio de três dias em Montargil, reforçando a ligação entre jogadores, famílias e comunidade.

O treinador destaca também o impacto social do projeto. O regresso do futebol à Tramaga exigiu recuperar balneários degradados, iniciar épocas a jogar sempre fora e mobilizar dezenas de pessoas que, mesmo com chuva e frio, mantiveram o compromisso de treinar e apoiar a equipa. Edgar Rodrigues afirma sentir-se privilegiado por ver a aldeia mobilizada, com adeptos que acompanham a equipa em todos os campos e que, muitas vezes, são mais numerosos do que os adeptos da equipa da casa. Recorda momentos em que jogadores e adeptos se emocionaram antes de finais, reforçando que o projeto não é apenas desportivo, mas social.

A entrevista sublinha ainda o avanço decisivo do novo campo sintético, já previsto e em fase final de preparação. Edgar Rodrigues refere que “já faltou mais”, destacando que este investimento representa uma transformação estrutural para o futuro da Tramaga, permitindo melhores condições de treino, maior competitividade e reforço da identidade local.

Ao longo da conversa, Edgar Rodrigues reforça que a essência do grupo se mantém: união, respeito, convívio e identidade. Os Rapazes do Moinho, afirma, construíram algo bonito para a aldeia e para o município, sendo reconhecidos noutras localidades pela forma como recebem e convivem. O treinador reforça que a equipa quer continuar a trabalhar para dar mais alegrias aos adeptos, que considera merecedores de resultados e de continuidade do projeto.

A entrevista termina com o reconhecimento de que o projeto do GDRC Tramaga mudou a aldeia, mobilizou a comunidade e reforçou a ligação entre futebol, identidade local e espírito associativo. Edgar Rodrigues garante que a equipa continuará a trabalhar com seriedade, união e compromisso, mantendo a essência que tem marcado estes quatro anos de crescimento.

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